15 agosto 2026

Apocalípticas (ou uma Piada)

porque há risos gargalhadas
em cascatas cataratas
sanguinadas pelas pragas

são cantatas de mortalhas
das risadas alastradas
zombarias pelas águas

são compassos de tragédias
entre asas garras brasas
pelas rubras trevas geadas

o deboche dos abutres
a piadeira dos corvídeos
os avisos das corujas

graves línguas de lagartos
o sarcástico dos asnos
entre cabras bodes sapos

ironias desbocadas
em metralhas e sarcasmos
em grotescos e catarras

entre danças valsas facas
essa engraça desgraçada
a lembrar que a humanidade
é uma piada.

08 agosto 2026

A Corda da Forca

em verdade em verdade vos digo 
que vos odeio.
ser que nunca soube amar 
e que decepou a laringe 
de quem falasse amor 
ser que entre os paraísos
tomou laxante pra cagar em tudo
tu és o único ser 
que quando te extinguires
deixará o mundo melhor.
tu (a quem reconheço como inimigo)
que vomitaste em tudo que era fundo 
tiveste diarreia em tudo que era belo
gangrenaste em tudo que era grande 
ser nojento entre os imundos 
das porras pútridas
derramadas pelas águas puras
procriador da dor 
assassino dos entes alados.
cortador de asas 
perfurador de olhos 
arrancador de sonhos
entupidor de vasos
erro maior dos deuses
tu, ó ser humano 
eu te enfio os meus adeuses 
eu, tanto praga como tu,
te mando tomar no cu 
e não, eu não quero ser teu juiz
eu quero ser a corda
(esticada, tensa, absorta)
da tua forca.



01 agosto 2026

13 Versos (sendo que o 13° é de Álvares de Azevedo)

teu vasto furacão que o cosmos traga
teu lago de ilusão que a morte vaga
teu sangue pelo não em que me embriaga
teu rastro pelo chão trazendo a praga
teu dente de leão que a pele afaga 
teus deuses que não são que a vida esmaga
teu lúgubre trovão que o sonho estraga
teu trago em vastidão que acende a mágoa 
teu grito de emoção do que desgraça 
tua asa sem razão na treva aziaga
tua trágica paixão que a alma rasga 
teu tétrico perdão que a nada apaga 
"Teu fúnebre clarão que a noite alaga..."