28 abril 2016

da Liberdade

I - o livro
te torna livre
o livre
se torna livro

II - no hoje
ser livre
é não ter que ter

III - em meio
a toda suposta liberdade
há uma prisão latente:

aqueles que se julgam livres
leiam de trás para frente
a palavra "livres"






25 abril 2016

Al Pacino e Oscar Wilde: Wilde Salomé

Hoje, um dos maiores atores de todos os tempos, e o meu preferido, Alfredo James Pacino, ou Al Pacino, completa 76 anos. Mas não é por ser seu aniversário que escrevo este texto. É simplesmente porque há alguns dias assisti ao sensacional Wilde Salomé: uma espécie de filme/documentário/teatro, dirigido e escrito pelo próprio Al Pacino (onde o ator interpreta o rei Herodes), e baseado na peça teatral Salomé, do célebre poeta e escritor inglês Oscar Wilde. Claro que aproveito a data de aniversário do ator para realizar a postagem.

Al Pacino já dirigiu alguns filmes, todos eles de caráter alternativo, muito longe dos padrões sensacionalistas hollywoodianos, e sempre influenciados pela Literatura. Foi o caso, por exemplo, do filme Ricardo III - Um Ensaio, de 1996, baseado na obra de Shakespeare, e é o caso, mais recentemente, de Wilde Salomé, de 2011. O filme é, simplesmente, uma aula de cinema, literatura e teatro, não se detendo somente ao enredo da peça escrita por Oscar Wilde, mas também realizando uma análise da obra e da vida do escritor inglês, ao mesmo tempo em que tece considerações críticas sobre o teatro e o cinema contemporâneos. 

Os personagens de Wilde Salomé são analisadas a fundo, trazendo reflexões acerca de seu comportamento psicológico. A história, a genialidade e as dificuldades da vida de Oscar Wilde também são abordadas, principalmente a sua coragem em trabalhar e desmascarar temas considerados tabus pela conservadora e hipócrita sociedade inglesa de finais do século XIX. Seu homossexualismo e sua prisão (devido à própria homossexualidade) são alguns dos assuntos explorados pelo filme de Al Pacino. 

Percebe-se, então, que pessoas como Oscar Wilde, não apenas por ser homossexual, mas, e até mais, por ter a ousadia de tirar o véu de hipócritas, continuariam a ser odiadas pela nossa sociedade pós-moderna. Ainda mais aqui no Brasil, com os dias de "Bolsonarismo" em que estamos vivendo.

"A forma de governo mais adequada ao artista é a ausência de governo. Autoridade sobre ele e sua arte é algo de ridículo."  Oscar Wilde. 




24 abril 2016

Quem acredita, acredita no quê?

as pessoas não acreditam
no que creem como certo
acreditam no que precisam
acreditar:
se é certo ou não
não há real interessamento

acreditam no prolongamento
do que são
ou do que julgam como sendo:
acreditar é tentar ser
sendo-se ou não

tanto é
que se pode acreditar
em coisa qualquer
no que se quiser:
em paradoxos e contraditórios
em mudanças e inconstâncias
e tudo é válido
e tudo pode
desde o fanático científico
até o enfático por bodes

de modo que acreditar
não é saber ou achar que se sabe:
é a necessidade de ser alguém
antes que seu ser ou esse alguém
acabe


21 abril 2016

Por que sou Contra o Impeachment, e o Poema que previu tudo

Sou um homem de posições. Abomino o "ficar em cima do muro", a prática covarde dos "amigos de todos", que, como se diz, não são amigos de ninguém. E, quando devo tomar uma posição, antes analiso quem está de um lado e quem está de outro. Claro que não é só isso que me levará a decidir. Mas ajuda bastante.  Infelizmente, a minha real visão política, já não pode mais ser implementada na civilização. 

Sou contra governos, sou um anarquista. E o verdadeiro anarquismo não é sinônimo de caos ou bagunça, é antes de consciência e liberdade individual. Mas hoje é uma utopia. Sendo assim, governos existem, e devemos nos posicionar dentro dos governos. Nesse sentido, sou totalmente antidireitista. E tenho, portanto, posições esquerdistas, embora não concorde com muita coisa dentro da esquerda. Ser de esquerda, não significa ser comunista, como pensam muitos que não aceitam posicionamentos contrários ao seu: "se é de esquerda é comunista." Isso não só é preconceituoso como é de uma ridícula ignorância. Ser de esquerda, no meu entender, é ser a favor das minorias menos favorecidas e a favor dos avanços sociais com humanidade, não com exploração. 


No caso do Impeachment, sendo golpe ou não, sempre me posicionei contra. Não por morrer de amor pela Dilma, mas por considerar muito pior colocar Temer e o PMDB no governo. E duvido, com toda força da dúvida, que Temer convoque novas eleições. E muito menos será "impedido" também. E esse meu posicionamento foi confirmado quando analisei quem estava votando A FAVOR do impeachment:

- Bolsonaros e outros estúpidos pregadores de crimes contra o ser humano, que deveriam estar atrás das grades.


- Fanáticos religiosos exploradores do desespero de um povo ignorante e acomodado, enriquecendo "em nome de Deus".

- Corruptos praticamente declarados, deslavados, caricatos, que num dia gritavam, choravam pelo "fim da corrupção" e no outro tinham a polícia em sua casa devido a essa mesma corrupção.

- Homens como Luis Carlos Heinze, que expressou abertamente, e foi apoiado, todo o seu ódio por negros, índios e homossexuais.

- Homens como Paulo Maluf, um ícone da roubalheira e da impunidade no Brasil.

- Defensores da perda de direitos do trabalhador, que votaram pela terceirização, pela destruição ambiental para favorecer empresas, que votaram pelo financiamento privado de campanha, que votaram pela isenção de impostos das igrejas, que votaram para favorecer os que querem plantar mais transgênicos e com mais agrotóxicos, que votaram pelo perdão de multas de grandes empresas...

Toda essa gente votou a favor do impeachment. Então, sou contra.

Além do mais, descobri que sou profeta, Três dias antes do impeachment, escrevi um poema que previa tudo:

aos Homens de Bem

tantos que se julgam grandes
mas não passam de bananas
e do mesmo cacho

tantos que se julgam rochas
mas não passam de farinha
e do mesmo saco

tantos que se levam a sério
mas não passam de balela
e de esculacho

tantos que desejam aplausos...
pois bem: palmas
a seu circu(lo) de palhaços


19 abril 2016

A Queda da Humanidade: meu 3º livro

Amigos, conhecidos perguntam-me, às vezes, sobre meu próximo livro e comentam que ele está demorando para sair. De fato, está, por uma série de fatores. O principal deles é que optei por não realizar simplesmente uma coletânea de poemas escritos durante alguns anos, como fiz com meu 1º livro de poesias, que reuniu cerca de 250 poemas escritos entre 2007 e 2010. Meu próximo livro está sendo uma obra construída com mais cuidado, com mais método, seguindo uma determinação, uma intenção unificadora, o que não significa que eu não possa abordar os mais variados temas. Muitos dos poemas que escrevi desde meu 2º livro, publicado em 2010, não serão aproveitados agora.

Ainda não tenho previsão de lançamento, mas muito provavelmente será em 2017. A maior parte dos poemas já considero finalizada. Outros precisam ainda ser reelaborados, e ainda há os que não foram escritos. Também há a questão financeira a ser considerada. O título, penso, já está definido: A Queda da Humanidade

17 abril 2016

O maior show de hipocrisia da história

Presenciamos um dos maiores shows de hipocrisia da história do Brasil. Talvez, do mundo. Ao vivo. Espetáculo, no mínimo, repugnante.

Políticos envolvidos e sendo investigados nos mais diversos escândalos de corrupção, como a bancada gaúcha do PP, votando, diziam eles CONTRA A CORRUPÇÃO. 

Políticos que sempre votaram contra a vontade do povo, sempre defendendo os interesses das grandes empresas, do agronegócio e das classes sociais mais abastadas, votando, diziam eles, pela VONTADE DO POVO.

Políticos vendidos, antiéticos, desonestos, eleitos e sustentados por sonegadores de impostos, votando, diziam eles, pela DECÊNCIA NA VIDA PÚBLICA. 

Políticos cansados de encontrar formas de burlar a lei para enriquecer ou para se favorecer na política, votando, diziam eles, pela LEI e pela CONSTITUIÇÃO.

Políticos que já deram show de preconceito, de discriminação, de intolerância, de autoritarismo, que apoiaram a ditadura militar, votando, diziam eles, pela DEMOCRACIA, pela LIBERDADE, pelos DIREITOS HUMANOS.

Políticos que só respondem à ganância, à mentira, ao egoísmo, à falsidade, à desumanidade, votando, diziam eles, em nome de DEUS e da FAMÍLIA.

Políticos que diziam querer tirar a presidente Dilma por corrupção, muito embora ela não esteja sendo investigada por nada, colocaram Michel Temer e Cunha na presidência, ambos sendo investigados por corrupção, e que, sinto informar, NÃO IRÃO CONVOCAR NOVAS ELEIÇÕES.

Dias sombrios aguardam a nação brasileira...



16 abril 2016

Perguntas de um Trabalhador que Lê


O título refere-se a um poema do poeta, escritor e dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898 - 1956). Abaixo, além do mencionado no título, há um outro poema do mesmo autor. Creio que tais obras são bastante adequadas ao momento pelo qual passa a nação brasileira:



Perguntas De Um Trabalhador Que Lê

Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilònia, tantas vezes destruida,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Sò tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Indias
Sòzinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitòria.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas

Bertolt Brecht

A árvore que não dá fruto
É xingada de estéril.
Quem examinou o solo?

O galho que quebra
É xingado de podre, mas
Não haveria neve sobre ele?

Do rio que tudo arrasta
Se diz que é violento
Ninguém diz violentas
Às margens que o cerceiam.

Bertolt Brecht

14 abril 2016

aos Homens de Bem

tantos que se julgam grandes
mas não passam de bananas
e do mesmo cacho

tantos que se julgam rochas
mas não passam de farinha
e do mesmo saco

tantos que se levam a sério
mas não passam de balela
e de esculacho

tantos que desejam aplausos...
pois bem: palmas
a seu circu(lo) de palhaços








12 abril 2016

Elefante Africano rumo à extinção: mais de 100 mil mortos em 3 anos


"De acordo com o Secretariado da Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies em Risco da Flora e Fauna Selvagens (CITES), entre 2010 e 2012 cerca de 100 mil elefantes foram mortos em decorrência da busca por marfim. Além de serem vítimas do ainda ‘alarmantemente intenso’ tráfico de suas presas, elefantes têm se tornado alvos mais frequentes da caça ilegal." Fonte: ONUBrasil

E então, terei que acrescentar mais uma espécie a meu poema "Versos Inexistentes", que homenageia ALGUNS dos animais JÁ EXTINTOS pela humanidade atual.

Versos Inexistentes

Dodô
Emu-Negro
Foca-Monge
Asno-Sírio...

Leão-do-Atlas
Leão-do-Cabo
Zebra-Quagga
Ave-Elefante
Arau-Gigante
Íbis-Terrestre
Tigre-de-Bali
Tigre-do-Cáspio
Tigre-de-Java
Lobo-de-Honshu
Vaca-Marinha
Sapo-Dourado
Cervo-Schomburki

Gazela-Vermelha
Dugongo-de-Steller
Antílope-Azul
Raposa-das-Falklands...

Pombo-Passageiro
Lobo-da-Tasmânia...
Cabra-dos-Pirineus
Pato-do-Labrador
Jiboia-da-Ilha-Round
Rinoceronte-Negro...

Tartaruga-da-Ilha-Pinta
Lagarto-da-Ilha-de-Ratas
Wallaby-Rabo-de-Prego...

Pato-de-Cabeça-Rosa
Periquito-do-Paraíso
Bandicoot-do-Deserto
Rinoceronte-de-Sumatra
Arara-Vermelha-de-Cuba...

deixei 34 versos
inexistentes
e mais uns outros
de adeus:
quem sabe
amigos extintos
um dia o meu destino
beberá vinho tinto
na presença
dos teus...



08 abril 2016

Vidas-Relógio

quantas vidas-relógio
você tem?
acordar na hora
dormir na hora
chegar na hora
comer
dentro da hora
passear
dentro da hora
cagar
dentro da hora

terminar
antes que o prazo acabe
ir comprar
antes que o mercado feche
ir no banco
antes que as 3 horas bata
ir pagar
antes que a conta vença
...
ufa! consegui...
morri.





06 abril 2016

de Lábios e de Lábios

o cheiro de vida
que há entre o beijo

o cheiro de sonho
que há pelo erro

o cheiro de paz
que há na tormenta

o cheiro de amor
que há entre o sangue

o cheiro da morte
que há entre os lábios





04 abril 2016

"O amigo de todos não é amigo de ninguém."

"Ter muitos amigos é não ter nenhum." Essa frase de Aristóteles sempre me chamou a atenção. Mas qual, afinal, o seu significado? Em geral, as pessoas a interpretam como a velha questão de que mais vale a qualidade do que a quantidade de amigos, e que ter muitos significaria que, na verdade, vários desses "muitos" não seriam amigos autênticos, seriam falsos, ou apenas conhecidos, enfim. Discordo dessa interpretação. Primeiro, porque é óbvia demais, segundo, porque, de acordo com esse entendimento, mesmo alguém não tendo tantos amigos como diz ou pensa, ainda assim teria alguns. Mas Aristóteles afirma que quem tem muitos não tem nenhum.

Uma outra interpretação possível seria a de que aquele que acredita que possui muitos amigo não sabe avaliar ou reconhecer o que é a verdadeira amizade. Consideraria como amigo qualquer tipo de relacionamento que, muitas vezes, seria apenas superficial ou momentâneo. De modo que, se fizesse uma análise profunda de suas amizades, poderia acabar por dar-se conta de que não possui nenhum amigo de verdade. Creio ser esse entendimento melhor que o primeiro, mas, ainda assim, falho, porque também poderia se reconhecer entre essas amizades "de superfície" algumas que fossem profundas e reais.

A melhor interpretação da frase de Aristóteles, a meu ver, é aquela que traz relação com frase semelhante, atribuída ao padre jesuíta e professor de filosofia, o francês Louis Bourdaloue (1632 - 1704). Afirma Bourdaloue, muito provavelmente influenciado pelo genial filósofo grego, que "O amigo de todos não é amigo de ninguém". Creio ser essa a melhor interpretação, porque a verdadeira amizade acarreta um posicionamento, uma escolha, é indissociável da lealdade, da fidelidade.  Nesse sentido, ser amigo de alguém, é também ser, se não inimigo, ao menos "não simpático" às inimizades de seu amigo. Quem é amigo de todos, não tem um posicionamento na escolha das amizades, logo não poderá ser leal e fiel a nenhum dos amigos, porque não terá um "lado". E como se confiar em alguém que pode ser amigo de seu inimigo? Não se pode estabelecer amizade com alguém em quem não se confia. O "amigo de todos" é mais ou menos algo como aquele que acende uma vela a Deus e outra ao Diabo. A expressão popular "Amigo da Onça" ilustra muito bem meu comentário.