Meu 2º livro: Poemas do Fim e do Princípio - Uma Aposta no Livro Digital

Conheça "Poemas do Fim e do Princípio", meu 2º livro com 245 poemas em quase 250 páginas. Adquira a versão impressa ou digital, clicando no link: http://www.livrosilimitados.com.br/loja/autores_descricao.asp?codigo_autor=7



21 maio 2015

A Maior Oposição da Música?

Amanhã, 22/05, Richard Wagner completa 202 anos. Wagner está entre meus quatro compositores preferidos, após Brahms, logicamente, Beethoven e Bach. Curiosamente, os quatro são alemães. E foi na Alemanha, na segunda metade do século XIX, que ocorreu uma das maiores polarizações da história da música, senão a maior. De um lado, Wagner e Liszt e a música programática, chamada também de "futurista", aquela que deveria servir a algum programa preestabelecido, geralmente ditado pela literatura (como no caso dos dramas musicais), e, de outro lado, Brahms, adepto da música absoluta, da música pura, que nunca compôs uma ópera (o mais próximo disso foi a Cantata Rinald, baseada em texto de Goethe), concentrado principalmente na música instrumental e nos lieder (canções, geralmente um poema cantado acompanhado pelo piano), e, por fim,  acusado, injustamente, de ser conservador em demasia, retrógrado. 

Seu eu vivesse na época, creio que seria um adepto de Brahms. Mas o tempo passou, e hoje a genialidade de ambos os compositores é compreendida cada uma em seu devido lugar. Wagner elevou a um patamar máximo o drama na música, o canto wagneriano, único, hipnotizante, assombroso. Suas óperas são monumentos da arte, onde se reúnem música, literatura, teatro, mitologia, são obras de força e grandiosidade . 

Mas na música absoluta, na música apenas instrumental, na música de câmara, Wagner não existe. Foi necessário Brahms para renovar a fundo a música absoluta pós-Beethoven, de forma mais contida que Wagner, mais discreta, de acordo com seu temperamento denso e sombrio de alemão do norte, mas não menos importante. Ambos os gênios ocupam hoje cada um o seu lugar, cada um trilhou de forma perfeita o seu caminho.

Entre os gêneros da música erudita, a ópera, de forma geral, não está entre os meus preferidos. Tanto que entre os meus três compositores favoritos, há apenas uma ópera: a "Fidélio", de Beethoven, a única que ele compôs. Brahms e Bach não compuseram óperas. Mas as óperas, ou dramas musicais, de Wagner são um caso à parte. São diferentes de todas as outras óperas, absolutamente revolucionárias, de uma profundidade de expressão inédita no campo operístico, e de uma potência sonora devastadora. 

É o caso da ópera Tristan und Isolde, para mim, a maior ópera já composta.  A obra trata da lenda medieval celta de Tristão e Isolda, enriquecida e transformada por Wagner em um verdadeiro mito do amor impossível e da morte. Esse drama musical é como um hino demente ao amor desesperado, onde novas possibilidades de expressão musical são exploradas até as fronteiras do sistema tonal. É música absolutamente revolucionária e perturbadora. Envolve-nos como um encantamento, como um feitiço, arrasta-nos por nebulosas, inflama-nos de uma febre ardente.

Inspirada no amor impossível de Wagner por Mathilde Wesendonck, esposa de seu amigo Otto Wesendonck, a escrita wagneriana nessa obra transcende as regras clássicas da composição, e, ao mesmo tempo, e também por isso, leva-nos a um outro mundo de absurdos sonoro-emocionais. Wagner foi, musicalmente e psiquicamente muito longe. Abriu as portas do atonalismo. Influenciou decisivamente toda uma geração. Em Tristan und Isolde, tudo parece se dissolver entre si, é como um trabalho alquímico, canto e orquestra se dissolvem, os temas entrecortam-se infinitamente em incessantes modulações, como numa vertigem, fundem-se, assim como o amor e a morte, a luz e a noite, a magia, o sonho e o desespero, a ilusão e a realidade. O canto wagneriano vai se desenrolando e nos hipnotizando, deixa-nos em transe, impregnado de desejo e dor, de fúria e alucinação, entre o sublime e a desgraça, entre o consolo e o veneno. Nessa obra de extremos e de audácias, a noite é a grande heroína, só ela possibilita o amor, enquanto o dia e a luz são sinônimos da opressão da vida.  E a morte acaba sendo a única libertação.

Mas Brahms também expressou tudo isso, mas na música absoluta, de uma outra forma, abstrata, que depende de nossa interpretação. A vantagem de Brahms é que ele é mais conciso, e isso é fundamental nos dias atuais.

19 maio 2015

Soneto de Confissão

Eu confesso que não passo de um mísero,
admito a maldade e o eu egoístico,
sou um errático consciente do abísmico
e sei deste horror que assola meu ímpeto.

Qual humano se escancara de hipócrita?
qual ser medíocre é que arranca sua máscara?
eu, que atinjo essa indiferença máxima
deixo sangrar minha inútil carótida.

Da humana raça me afirmo inimigo:
sobe-me à goela um reflúxico grito
e fervem-me ânsias nos brônquios do peito.

Há cuspe em todas as letras que digo
e mais vícios nos meus olhos malditos
do que erros por meu caminho mal-feito.

17 maio 2015

Mais Nada

agora que nada
nado-me
e o nunca mais
me resta
nada mais
há mais
e não há
a ser dito
despido
delito
o meu ser
que nada
ao mar
do que minto
o que (não) sinto
barco de vasto
de arrasto
desisto
mau quisto
mau diabo
agora que alado
e ao lado
mau fado
nau-fada
naufrágio
sem rastro
me afasto
de mundos
me indo
pro fundo
aos nados
te infesto
em riste
de espada

de resto?
mais nada.

15 maio 2015

Mensagem de Augusto dos Anjos às Gerações Futuras

Passo a passo, como quem constrói meticulosamente a própria forca, a humanidade caminha rumo ao Fim. Augusto dos Anjos, com a vidência dos grandes poetas, sabia disso:

Idealização da humanidade futura

Rugia nos meus centros cerebrais 

A multidão dos séculos futuros 
- Homens que a herança de ímpeto impuros 
Tornara etnicamente irracionais! -

Não sei que livro, em letras garrafais 
Meus olhos liam! No húmus dos monturos, 
Realizavam-se os partos mais obscuros 
Dentre as genealogias animais!

Como quem esmigalha protozoários 
Meti todos os dedos mercenários 
Na consciência daquela multidão...

E, em vez de achar a luz que os Céus inflama 
Somente achei moléculas de lama 
E a mosca alegre da putrefação!

(Na imagem, detalhe de "O Julgamento Final" de Hieronymus Bosch.)

13 maio 2015

Para o ser desprezível (e a todos os outros como ele) que matou a pauladas um ser divino (onça): Homem Fraco

O vídeo abaixo dispensa comentários. Envergonha toda a raça humana. Para desgraças como essas, tão comuns em nossos dias finais, dedico o poema a seguir, escrito em 2012 e reelaborado agora: 

Homem Fraco
que mal se aguenta nos cascos

quando lhe dói um dos lados
da imundície do estômago

homem trôpego
mais palhaço
que os macacos
estilhaços
de um nada aos cacos
vazio de pensamento
monumento 
ao vácuo
fraqueza lépida
que nem sabe o que faz
sob a falta
de energia elétrica

se um dia
tiveste alma
esmagaste
como quem esmaga um frasco
de merda

homem-medo
farás o que
no seco
do teu próprio deserto?
vieste de que ontem?
por que vives o que vives?
vais para qual onde?

homem:
irás tarde
quando fores embora
(quem me dera
uma metralhadora)

o que sabes 
disso que não sabes?
onde é que sentes o teu não-sentido?
o teu futuro me dá asco
ergue um túmulo
para o teu si mesmo
e para o meu desprezo

ah quem me dera
ser o teu carrasco
homem fiasco

Vídeo: clicar aqui

11 maio 2015

Tu, que estás enganado

homem, não te enganas
pois
há um algo que falta
há um ato não feito
há um fato não vindo
há um alto não dado

há um dado jogado
há um trato a caminho
há um lago sem fundo
há um mundo em pedaços

mas quanto a ti...
há uma falta em teu algo
não há fundo em teu feito
não há trato em teu dado
não há alto em teu mundo
tu, que estás enganado


09 maio 2015

O que é melhor à População: Sonegar ou Assaltar Bancos? Sonegação roubou 490 bilhões de reais só em 2010

Hoje, na época das aparências, uma empresa cresce através mais da sua imagem do que seu produto ou serviço. Isso é ruim? Só por si, não. Ruim é quando fica somente na imagem. Aí seu marketing vira enganação. E convenhamos, Marketing e Enganação têm andado de mãos dadas há muito tempo. Há muitas empresas por aí que querem nos vender gato por lebre, rato por neve, longo por breve.

As grandes empresas, e não só as grandes, em sua grande maioria, não gostam de transparência, de "pingo nos is", de serem totalmente honestas com os clientes. Isso não dá lucro. E o que pode ser escondido, será. É o caso  agora da lei da Não-Rotulagem Obrigatória em Alimentos Transgênicos, recentemente aprovada no Congresso, de autoria do cara que está em todas que vão contra os direitos "alimentares" dos brasileiros: Luís Carlos Heinze. Esse senhor serve ao povo? Não, ao agronegócio, serve às grandes empresas, ele e toda sua galera gaúcha que lá no Congresso. envergonha o RS, quase todos do PP.

Então, aí está mais um direito arrancado do consumidor e dado às empresas do setor alimentar: ESCONDER que utilizam produtos transgênicos.

E você, leitor, sabe, por exemplo, quais são as empresas que sonegam seus impostos? Aquelas que não dão notas fiscais, são algumas. E são muitas, não é verdade? Já houve empresas em que pedi a nota e que falaram que NO MOMENTO não podia fornecê-la. Ofereceram-me um RECIBO. Sonegação é roubo. Mas aí surgem alguns empresários que defendem a sonegação, dizendo que os impostos são exagerados, injustos etc. Tudo bem, mas então, se é assim, por que eles não devolvem para o cliente os impostos que pagamos EMBUTIDOS em seus produtos ou serviços? Para onde vai esse dinheiro? Ah, acho que eles o embolsam, não é mesmo?

De modo que, para a população, assaltar bancos é bem menos daninho que sonegar impostos. No primeiro caso, rouba-se dos ricos e de um sistema que vive da exploração do trabalhador.


Sobre o assunto, transcrevo trecho de um texto escrito pelo escritor, professor e jornalista Juremir Machado da Silva:


"A Tax Justice Network, organismo com sede em Londres, garante, com base em pesquisa, que, somente em 2010, a evasão fiscal teria roubado R$ 490 bilhões dos cofres da Receita Federal brasileira. Por que não tem manifestação na Avenida Paulista contra essa bandalheira? O pessoal do impostômetro não gosta de falar do sonegômetro. Tem o dia sem impostos. Poderia ter o ano sem sonegação.

A corrupção dos políticos é fichinha perto da corrupção dos empresários, que atende pelo nome vulgar de sonegação. Uma coisa não absolve a outra. Parcerias são frequentes. Curiosamente os sonegadores vão às manifestações contra a roubalheira com cartazes incríveis do tipo “sonegação não é corrupção”. São os defensores do Estado mínimo.

Por que a sonegação corre solta? Por causa da impunidade. Sonegador sempre encontra um jeito de escapar. Enquanto se pretende diminuir a idade penal para colocar adolescente em presídio de adultos, alimentando a escola do crime, os sonegadores passeiam nos seu carrões, esbaldam-se nas suas mansões, contratam “consultorias” para resolver seus probleminhas com o fisco e passam férias em paraísos mais do que fiscais: totais, naturais e protegidos. É por isso que eu sempre digo: o grande problema do Brasil é a impunidade. Os grandes bandidos, os sonegadores, raramente são perturbados. A Papuda ainda é um território desconhecido para eles. Que doce vida.""



07 maio 2015

Os Sextetos de Brahms e a Paixão por Agathe


Hoje, meu compositor favorito, inseparável amigo de alma, Johannes Brahms, completa 182 anos. Sempre publico algo sobre ele nesta data, para mim, de grande importância. Não tive tempo de escrever algo novo hoje, então republico texto que escrevi em agosto de 2013, sobre seus Sextetos para Cordas:


Os dois sextetos para cordas que Brahms escreveu, o Op. 18 e o Op.36, são os melhores sextetos da história da música. Tudo bem, está certo que sempre sou suspeito quando falo de Brahms, mas não conheço nenhum outro sexteto que se compare aos do gênio de Hamburgo. Não entre os compositores mais conhecidos (que não fizeram muitos sextetos, diga-se de passagem) e alguns menos conhecidos. E duvido que exista algum compositor entre os que não conheço que tenha feito algo melhor que essas maravilhas de Brahms.


Os sextetos não estão entre as obras mais conhecidas do compositor, o que é uma grande injustiça. São composições com o típico lirismo carregado de Brahms. Por um lado, trazem suas características melancolia e densidade, com alguns toques trágicos entre a renúncia e o pessimismo. Por outro, são de grande força vital, ternura, colorido e sensualidade, atingindo a rústica alegria campestre em alguns pontos. Escritos para dois violinos, duas violas e dois violoncelos, exigem, como sempre quando se trata de Brahms, elevada técnica dos executantes.

Difícil decidir qual gosto mais. O Sexteto n°2 talvez seja mais consistente e mais bem acabado, porém o n°1 traz melodias de intensa inspiração, sem falar que o seu andante é uma das páginas mais marcantes da obra de câmara de Brahms. Há também uma versão para piano do andante.

Composto entre 1864 e 1865, o Sexteto n°2 foi escrito após o rompimento de Brahms com Agathe von Siebold, com quem manteve uma relação apaixonada. Entende-se a paixão de Brahms por Agathe, pois conta-se que era uma mulher de grande inteligência, espírito e sensibilidade. Bem, talvez não fosse tão bela quanto a Clara Schumann. Mas nem tudo é beleza. E nem todas são a Clara. Aliás, também se conta que Clara Schumann viu Brahms e Agathe em uma cena de beijinhos e ficou puta de ciúmes.

Brahms quase se  casou com Agathe. Mas ele tinha dúvidas quanto ao casamento. Expressou-se assim: "Te amo! Necessito ver-te novamente, porém não posso me colocar ataduras. Escreva-me para dizer se posso voltar e estreitar-te em meus braços, beijar-te e dizer que te quero". Bem, dizer a uma mulher sensível que "não posso me colocar ataduras"? É óbvio, que magoada e ferida, Agathe rompeu com o Johannes e nunca mais voltaram a encontrar-se.

O que restou foi que no primeiro movimento do Sexteto n°2, os violinos executam as notas A-G-A-D-H-E, que correspondem a lá-sol-lá-re-mi-si. Brahms teria dito sobre o seu segundo sexteto: "Nesta obra, libertei-me de meu último amor". E Agathe von Siebold foi eternizada em um dos maiores sextetos de todos os tempos.

05 maio 2015

O Inferno Existe

I - o Céu existe:
é a vontade não-alcançada

o Inferno existe:
é o desejo não-alcançado

II – Liberdade
não é tudo poder:
é a nada temer

III – Paz
não é não ter problemas
(todos têm e terão)
Paz
é não se importar em tê-los

(Na imagem, detalhe de "Inferno", de Bosch.)

03 maio 2015

Ciência prova que poesia é melhor para o cérebro que autoajuda. A próxima obviedade a ser provada é a de que gatos miam.

A ciência, não poucas vezes, é risível. Agora "provou" que poesia é mais útil para o cérebro que autoajuda. Como escrevi no título da postagem, isso é tão óbvio quanto o fato de que gatos miam e cachorros latem. A não ser que haja alguma aberração por aí modificada geneticamente.


A começar que nem é comparável autoajuda com poesia. A poesia é a mais alta, a mais nobre das artes literárias. Autoajuda nem é arte, é lixo. Mas vamos ver o que diz a nossa ciência óbvia:



"A leitura de obras clássicas estimula a atividade cerebral e ainda pode ajudar pessoas com problemas emocionais, diz estudo.

Ler autores clássicos, como Shakespeare, Fernando Pessoa, William Wordsworth e T.S. Eliot, estimula a mente e a poesia pode ser mais eficaz em tratamentos do que os livros de autoajuda, segundo um estudo da Universidade de Liverpool.

Especialistas em ciência, psicologia e literatura inglesa da universidade monitoraram a atividade cerebral de 30 voluntários que leram primeiro trechos de textos clássicos e depois essas mesmas passagens traduzidas para a "linguagem coloquial".

Os resultados da pesquisa, antecipados pelo jornal britânico "Daily Telegraph", mostram que a atividade do cérebro "dispara" quando o leitor encontra palavras incomuns ou frases com uma estrutura semântica complexa, mas não reage quando esse mesmo conteúdo se expressa com fórmulas de uso cotidiano."

O texto na íntegra pode ser conferido aqui.

01 maio 2015

Para Richa covarde e sua polícia vergonhosa: "Contra Governos e Leis e Autoridades"

Se esta foto não é um monumento à covardia, é o quê?
Abaixo, poema que escrevi em fevereiro de 2013:

Contra Governos e Leis e Autoridades

I
governo
é o empregado
pago e autorizado
por todo o povo
para mandar no povo
em benefício de alguns
que fazem do povo
um bando de nadas
e de nenhuns

II
lei
é estabelecer
que todos são iguais
desde que não
sejam os alguns
para que o povo
se iguale sempre ao povo
e jamais
se desiguale do seu nada
a lei é a ordem
e a ordem
é sempre se manter
dentro dos limitados
limites da estrada

III
autoridade
é o imbecil
escolhido entre imbecis
amparado por imbecis
aplaudido por imbecis
para tentar impedir
que os grandes
combatam os imbecis
(e acima de governo e lei)
ponham os pingos nos is


29 abril 2015

Qual a Música do Horror?

o ronco de estômagos vazios
e o gemido surdo da fome...
que som sai da lágrima
em contato com a pele
quando escorre?

como se escuta o choro abafado
dos desesperados?

os litros de sangue derramados
nos campos das batalhas
produzem que notas?

os corpos despedaçados pelas granadas
uma bala estourando uma cabeça
as vísceras espalhadas entre o pó
um dois três quatro cinco seis
sete oito nove dez
soldados fuzilados de uma só vez...

os urros dos tigres sendo massacrados
a queda dos  milhões de bisões
o tombo das florestas
o crépito das queimadas
que música a elas
seria adequada?

as mentiras nos plenários
nas tribunas nos templos nos congressos
e o protesto inútil dos injustiçados
formariam que tipo de concerto?

o tiro a queima-roupa
a mulher sendo espancada
a pele retirada de bichos vivos
as correntezas do rio Tietê
as expressariam que sonata?

os olhos dos coelhos sendo perfurados
para o progresso da ciência
os pesticidas derramados pelos campos
canto de ave com câncer na garganta
a bomba atômica antes
e depois a terra vazia
o silêncio do que virou deserto
se ergueriam em qual Sinfonia?

27 abril 2015

Rede Globo: 50 anos de enganação, alienação, manipulação e imbecilização

A população brasileira, há 50 anos, vem sendo enganada pela Rede Globo, a maior empresa de mídia do Brasil. Só não vê quem está (ainda) sendo manipulado. E, apesar desse domínio estar em franca decadência (a Globo perde telespectadores a cada dia que passa), o número de trouxas ainda é grande, e tem muita gente que só percebe como verdade aquilo que passa na televisão ou que sai em jornal bonitinho. 

Claro que a Globo não é única manipuladora. Mas é a maior e mais tradicional. Construiu o seu império graças à ditadura militar. A ditadura militar manteve seu poder em grande parte graças à Globo. Desde os anos 60, a emissora vem mantendo (e nos últimos anos tentando manter) a população brasileira imbecilizada. Mantém o povo na ignorância, e o povo na ignorância continua acreditando na Globo. É um círculo vicioso. Mas que está sendo quebrado. Por um lado, infelizmente, pela alienação oriunda de outras emissoras enganosas, a Record, por exemplo. 


Sobre o assunto transcrevo trechos de texto publicado no portal Sul21, intitulado: 50 anos da Globo: Dez razões para descomemorar, escrito por por Angela Carrato. Confira o texto na íntegra aqui. A seguir, trechos do texto:

"Nunca a audiência da TV Globo, centro do império da família Marinho, esteve tão baixa. O Jornal Nacional, seu principal informativo, que chegou a ter 85% de audiência, agora não passa dos 20%. Suas novelas do horário nobre estão perdendo público para similares da TV Record. No dia 1º de abril aconteceram atos em prol da cassação da concessão da emissora em diversas cidades brasileiras. O realizado no Rio de Janeiro, em frente à sua sede, no Jardim Botânico, foi o mais expressivo e contou com 10 mil pessoas. Número infinitamente maior participou, no mesmo horário, do tuitaço e faceboquiaço “Foraglobogolpista.


Artistas globais e a viúva de Roberto Marinho integram a relação de suspeitos de crimes de evasão fiscal e serão alvo de investigação pela CPI do Senado, criada para analisar a lista de mais de oito mil brasileiros que têm depósitos em contas secretas na filial do banco HSBC, na Suíça. Este escândalo internacional envolve milhares de pessoas em diversos países. A diferença é que fora do Brasil o assunto tem tido destaque e é coberto diuturnamente, enquanto aqui, a mídia, Globo à frente, prefere ignorá-lo ou abordá-lo parcialmente.

Além disso, o conglomerado teria sonegado o Imposto de Renda ao usar um paraíso fiscal para comprar os direitos de transmissão da Copa do Mundo Fifa de 2002. Após o término das investigações, em outubro de 2006, a Receita Federal quis cobrar multa de R$ 615 milhões da emissora. No entanto, semanas depois o processo desapareceu da sede da Receita no Rio de Janeiro. Em janeiro de 2013, uma funcionária da Receita foi condenada pela Justiça a quatro anos de prisão como responsável pelo sumiço. No processo, ela afirmou ter agido por livre e espontânea vontade."


Razões para descomemorar:



3. O apoio à ditadura militar (1964-1985)


Nos anos 1960, o Brasil era visto pelos Estados Unidos como sua área de influência direta. E a TV Globo foi fundamental para trazer para cá o way of life norte-americano juntamente com o seu modelo de televisão. A TV comercial, um dos tipos de emissora existentes no mundo, adquire aqui o status de única modalidade de TV. Não por acaso, Murilo Ramos (2000, p.126) caracteriza o surgimento da TV Globo como sendo “a primeira onda de globalização da televisão brasileira”, que, concentrada num único grupo local, monopolizou a audiência e teve forte impacto político e eleitoral ao longo das décadas seguintes.

Durante quase 20 anos, TV Globo e governos militares viveram uma espécie de simbiose. Os militares, satisfeitos por verem nas telas da Globo apenas imagens e textos elogiosos ao “país que vai para a frente”, retribuíam com mais e mais benesses e privilégios para a emissora. A partir de dezembro de 1968, com a edição do AI-5, o país mergulhou no “golpe dentro do golpe”, com prisão e perseguição a todos os considerados inimigos e adversários do regime e a adoção de censura prévia aos veículos de comunicação.

A TV Globo enfrentou alguns casos de censura oficial em suas telenovelas, mas o que prevaleceu na emissora foi o apoio incondicional de sua direção aos militares no poder e a autocensura por parte da maioria de seus funcionários.
Ainda hoje não falta quem se recorde de situações patéticas em que o então apresentador do Jornal Nacional, Cid Moreira, mostrava aos milhares de telespectadores brasileiros cenas de um país que se constituía “em verdadeira ilha de tranquilidade”, enquanto centenas de militantes de esquerda eram perseguidos, presos, torturados ou mortos nas prisões da ditadura. Some-se a isso que a TV Globo sempre se esmerou em criminalizar quaisquer movimentos populares.

4. O combate permanente às TVs Educativas

Desde 1950 que as elevadas taxas de analfabetismo vigentes no Brasil eram uma preocupação constante para setores nacionalistas e de esquerda. Uma vez no poder, algumas alas militares viram na radiodifusão um caminho para combater a subversão e, ao mesmo tempo, promover a integração nacional. O resultado disso foi que, em 1965, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) solicita ao Conselho Nacional de Telecomunicações a reserva de 48 canais de VHF e 50 de UHV especificamente para a televisão educativa.

O número era dos mais significativos e poderia ter representado o começo de canais voltados para os interesses da população, a exemplo do que já acontecia em outras partes do mundo. Pouco depois do decreto ser publicado, Roberto Marinho começa a agir para reduzir sua eficácia. E, na prática, conseguiu seu intento. O decreto-lei nº 236, de março de 1967, se, por um lado, formalizava a existência das emissoras educativas, por outro criava uma série de obstáculos para que funcionassem. O artigo 13, por exemplo, obrigava essas emissoras a transmitir apenas “aulas, conferências, palestras e debates”, ao mesmo tempo em que proibia qualquer tipo de propaganda ou patrocínio a seus programas. Traduzindo: as TVs Educativas estavam condenadas à programação monótona e à falta crônica de recursos.

Como se isso não bastasse, o artigo seguinte fechava o cerco a essas emissoras, determinando que somente pudessem executar o serviço de televisão educativa a União, os estados, municípios e territórios, as universidades brasileiras e alguns tipos de fundações. Ficavam de foram, por exemplo, sindicatos e as mais diversas entidades da sociedade civil.

Dez anos após este decreto-lei, apenas seis emissoras educativas tinham sido criadas no país, número muito distante dos 98 canais disponíveis. As emissoras educativas não conseguiam avançar, esbarrando na legislação que lhes obrigava a viver exclusivamente do minguado orçamento oficial, ao passo que as televisões comerciais, em especial a Globo, experimentavam crescimento sem precedentes. Crescimento que contribuiu para cristalizar, em parcela da população brasileira, a convicção de que a emissora de Roberto Marinho era sinônimo de qualidade."