Meu 2º livro: Poemas do Fim e do Princípio - Uma Aposta no Livro Digital

Conheça "Poemas do Fim e do Princípio", meu 2º livro com 245 poemas em quase 250 páginas. Adquira a versão impressa ou digital, clicando no link: http://www.livrosilimitados.com.br/loja/autores_descricao.asp?codigo_autor=7



25 abril 2015

Os Homens sem Paz

I  - a próxima guerra
dos homens sem água
será pela mágoa
da Terra sem trégua
contra os homens sem garra
e sem guelra

II – a espada
na terra cravada
é cruz

a cruz
no pulso empunhada
é espada

III – pra vida uma ova!
de paz
precisarão os homens
pra cavar covas

23 abril 2015

Os Representantes do Capital e o Futuro Negro do Brasil

Nossa política, principalmente o poder legislativo, está tomada não pelo que deveria estar tomada, pelos representantes do povo, mas pelos representantes do capital, do lucro, do dinheiro. E ainda falam em ter esperança. Há quanto tempo vem sendo assim? Que futuro se assoma diante da nação brasileira, quando o poder que cria leis e as aprova é dominado pelos interesses das grandes corporações? Pelos interesses vergonhosos, criminosos, das grandes empresas, que não visam, nunca visaram e jamais visarão ao bem estar e desenvolvimento humano e planetário?

Alguém desconhece o real interesse, objetivo maior de uma grande empresa? Tão somente as somas cada vez mais volumosas de lucros, seja a que custo for, seja com a exploração e o sacrifício brutais dos brasileiros, seja com a perpetuação da ignorância, da passividade, do comodismo, do patriarcalismo, seja com entronização da mediocridade, seja com a promoção do consumismo predatório, que tem levado à rápido e monstruosa degradação de nossos recursos e ambiente natural.

É o que fica mais do que patente, absolutamente claro, escancarado, absurdo, inaceitável, com as duas últimas aprovações do Congresso Nacional, a saber, a nefasta lei da terceirização, que é a queima desaforada, diante de toda uma sociedade, das leis e direitos trabalhistas, e com a anistia ainda mais desaforada, concedida aos planos de saúde.

Pois é. Nenhum trabalhador, por mais pobre que seja, jamais terá uma dívida perdoada pelas instituições. Mas as operadoras de planos de saúde, que abusam do povo,desrespeitam seus direitos mais básicos, que são os da saúde e da vida, que com isso lucram bilhões todos os anos, tiveram suas DÍVIDAS DE MULTAS PERDOADAS, anistiadas, pelo Congresso. E sabem por que elas foram perdoadas? Porque são estas empresas, junto com o agronegócio, com as empreiteiras, principalmente, que financiam as campanhas políticas dos "representantes do povo". Ou seja, os "nossos representantes" têm o RABO PRESO. Sempre tiveram. E as pessoas continuam votando neles. E as pessoas continuam achando que seu deputado as representa. E estas mesmas pessoas continuam sendo fodidas. Por que mesmo? 


É como escreveu Fagundes Varela: "Não me fales da glória,/ Não me fales da esperança./ Eu bem sei que são mentiras/ Que se dissipam, criança."


21 abril 2015

Longe do Centro*

no meu vale
valho-me
do que está à margem
límpida e líbera
miragem
libertária

visionária
argila criadora
à beira
do que correnteza
intocada pela humana pata
apática
e rasteira

ou barro de margem de lago
de onde se molda o novo
o vasto
e o alto

dos centros
sempre distante
avante
aproximo-me
de meu ser central
e que deixe
à sociedade canalha
um banho de metralha

tudo vale a pena
se se cria
no que se extrema

arte
é o que (não) se vê
por dentro:

antes o longe
dos horizontes das margens
do que os enfeites do centro

*Poema reelaborado e republicado.

19 abril 2015

do Quando Morreste

quando morreste
(não que tiveste morrido)
nem soubeste
o que houveste vivo
ou que não és o que foste
e talvez nem foste
o que em ti te morreste:
tiveste sede
e sedeste

acabou-te o olhar
no antes do acima
(per)deste-lo abaixo
aos cachos em palmo
a palmo
do sonho enterrado
errado

agora
(con)tentaste
em varrer o teu pó
(es)correm-te astros
pelo (v)entre das coxas
e vomitaste nas mesas
em polentas certezas
as entranhas já roxas

e sorrias
como quem ainda ama
deixando à mostra
pelo céu da boca
uma pérola de ostra
e um (re)pasto de lama

e nem há arte
a falar-te

17 abril 2015

da Massa e da Máscara

I - a massa gosta de pão
e circo:
tem gosto por ser amassada
sovada
e depois andar de palhaço
com a cara branca de talco
sendo amestrada a chicote
em cima de um palco

II- desde criança
aprendemos a ler
...a escrever
...a lei da gravidade
...a fórmula de Bhaskara
e (principalmente)
a construir nossa máscara

III - a verdade
não é pra ser dita
nunca é bem-vinda
nunca é bem-quista
nunca é bem-dita
e ai dos que a digam
esses malditos

15 abril 2015

Dos Humanos Sonhos

os dois o’s
dos humanos sonhos
loucos longos
medonhos

esgotados
em sono torvo
dois o’s tortos
dois fossos
dois poços

demônios
de olhos em fogo
de horror
e desgosto

velórios
de dolor
e remorso
de bolor
e destroço

dois voos
de corvos:
os dois o’s
dos mortos

13 abril 2015

Morte dos Oceanos: "...por 3 mil milhas náuticas, não havia nada vivo à vista."


Recebo da organização Avaaz, o e-mail que segue:

"Ao retornar de sua última travessia no Oceano Pacífico, o navegador profissional Ivan Macfadyen trouxe um alerta assustador: 


'Estava acostumado a ver tartarugas, golfinhos, tubarões e muitas aves migratórias. Desta vez, porém, por 3 mil milhas náuticas, não havia nada vivo à vista.' 

Uma extensão do mar antes vibrante estava assustadoramente quieta, coberta de lixo. 

Especialistas chamam o fenômeno de colapso silencioso. Embora apenas poucos de nós vejam dessa forma, somos a sua causa: sobrepesca, mudanças climáticas, acidificação e poluição devastam nossos oceanos e dizimam espécies inteiras. Não é apenas a extinção de milênios de maravilhas e belezas, é também o impacto em nosso clima e em toda a vida na terra."

Isso quanto aos oceanos. Quanto aos rios, creio ser oportuno acrescentar a declaração do reconhecido fotógrafo profissional Sebastião Salgado (cuja obra é tema do filme "O Sal da Terra"), publicada no portal Sul21 (conferir aqui.):


“Matamos os nossos rios e as nossas florestas, e não há partido ou político que vá resolver isso sozinho”, atesta Sebastião Salgado. Para ele, o problema da crise hídrica brasileira é “de toda a sociedade. Todos somos seres políticos e temos responsabilidades sociais”.

As ações do fotógrafo de 71 anos vão além do discurso afinado. Desde 1998, ele e sua esposa, Lélia Wanick, mantém o Instituto Terra, responsável pelo plantio de mais 2 milhões de árvores em Aimorés, no interior de Minas Gerais. De acordo com Salgado, a falta de água tem sido mais sentida agora, “mas esse problema já vem acontecendo há muito tempo. Se estivéssemos cuidando dos rios e das florestas, não estaríamos tão dependentes das chuvas para encher os reservatórios”.

Os trechos acima, deixo-os para reflexão. Nosso futuro está se revelando um tanto sombrio. E torna-se ainda mais sombrio quando nós, humanos, negamo-nos a perceber a magnitude de sua sombra...

11 abril 2015

de Otimistas e Pessimistas

I - otimista é aquele
que ao olhar para um céu ensolarado
enquanto cai um avião de passageiros
vê somente o sol

II
– acreditar na humanidade
é desconhecer-se

III
– pessimista é aquele
que ao olhar para o mar em tempestade
entende que o mar só é grandioso
porque nele há também Terror

09 abril 2015

Sono Sanguíneo (ou A Propósito de Chopin)

líquido violento de tormenta
que escorre dos vales em urgência
vinho vivo em meu passo à beira

sou daqueles
que passam às margens do tenso
denso as miragens que olhos
e sempre um símbolo -beijo
de humanidade morta

despenca-me furiando
em cílios convulsiona-me
um sei que se apaga
no morrêr-do-sol

durmo a lua febre
pelo pulso de um cigarro
no noctâmbulo do que me existo
em finais ocasos violino

durmo após o mundo
no pânico da ânsia em charme
para acordar nos melan-cólicos
músico-sanguino-glóbulos
do que vem abraçar-me

07 abril 2015

Sartori em campanha: "priorizar a educação". Sartori eleito: corte de 20% na educação, saúde e segurança

Hoje foi dia de manifestações e reivindicações do CPERS. Minha contribuição é realizar a comparação a seguir. O que prometia Sartori durante a campanha política e o que efetivamente fez nos seus primeiros 100 dias de governo.

Durante a campanha: "Nesta quinta-feira, José Ivo Sartori participou do programa Pampa Meio Dia, da TV Pampa. O candidato da coligação O Novo Caminho para o Rio Grande falou sobre temas essenciais para que o Estado volte a ser referência nacional. Sobre a educação, Sartori afirmou que, se eleito governador, irá priorizar a área, pois é através dela que se formam cidadãos de bem e que irão garantir um futuro de desenvolvimento para o Rio Grande do Sul." É só conferir aqui.

"Muy lindo", como diriam nossos hermanos. No entanto, depois de eleito, no dia 19 de março, Sartori se mostra outra pessoa, nada simpática, e decreta  corte de banais 20% na Educação, Saúde e Segurança, ou seja, somente nas áreas de pouca importância, como se percebe. Nas consultorias, por exemplo, pagas a empresas privadas, o que é elemento de primordial importância para o povo gaúcho (imaginem um governo sem consultorias! chega a ser indecente!), Sartori não cortou um centavo. 

Olhem só o Sartori depois de eleito:

"O governador José Ivo Sartori (PMDB) decretou cortes de 20% nas secretarias, entre elas as que mais impactam no orçamento estadual: Segurança, Saúde, Educação e Transporte." Conferir aqui.

Agora imaginem se educação não fosse prioridade...

05 abril 2015

da Vida Prática


poesia é arte,
e é, portanto, inútil,
só tem uma função:
provar que somente vale a pena
o que for arte

II
as pessoas
da vida prática
são tão práticas
que se dedicam a resolver
todas as coisas

mas nada 
há de prático nisso
pois nada nunca se resolve:
a única resolução é a morte
quem resolve não vive

a vida é o oposto:
viver é não resolver
e não resolver-se


03 abril 2015

E o Resto é Fim

deixo o verso
que ele saia
sem que eu pense em nada
além de pensar

o verso nada tem a ver do que penso
a arte que por ele passa
vem de um outro todo
que nem tenho
vento que se vaga não comigo
lago que se nada no não-dito

deixo que passe
o que se passa por mim
por que não importa
aquilo do que sinto
e o que corre
no sangue do que tenho
de que vale o vale que me afundo?

o verso é vasto longo e fundo
vai muito além
do que nem está em mim:
por que querer
que ele fale de um eu?
por que o verso
tem que ser o que é meu?

02 abril 2015

De meu Livro

O poema acima, publicado na edição 67 do Caderno Literário Pragmatha, cujo tema é "Parto", está incluído em meu livro "Poemas do Fim e do Princípio", publicado em 2010. Clique sobre para ler.