17 fevereiro 2017

Dia Mundial do Gato

Dia 17 de fevereiro é o Dia Mundial do Gato. Eu, amante desses animais superiores, não posso deixar de homenageá-los. Por isso, republico o poema abaixo e o dedico a minhas gatas de estimação (minhas e da Patrícia) Sophie (foto) e Gaia:

A um Amigo

gato quieto
sentado no meio do pátio
como se fosse no meio do cosmos

tu
que sentes tudo
sem perderes o gelo
eu sei que tu sabes
sem me dizer palavra:
olha por mim
como se eu te orasse
ora por mim
como se eu te houvesse

gato
tu és todo sentido
e indiferença
vês o sentido do todo
e o todo sem-sentido
da humanidade em sentença

no teu passo felino
há à presa perigo
porque nele há silêncio
e a quem te agride de pedra
tu respondes mistério

gato meu amigo
exemplo de homem
a ser seguido


14 fevereiro 2017

Humanidade... Vai Dormir!

vai dormir!
queres seguir acordada
no final desse teu dia
que (viste?) não deu em nada?
queres caminhar ainda?
mas caminhar para onde?
e caminhar para quê?
se já caminhas em círculos
e tuas estradas voltam 
sempre a este mesmo lugar?
pensas ainda avançar?

que sentido que encontraste
em tudo que (não) fizeste? 
realizaste o que sonhavas?
te orgulhas do que deixaste?
chegaste a teus ideais?
engrandeceste o que é vida?
encontraste a gran resposta?

seja o que for do que fores
vem agora o gran finale,
que não há passo a ser dado
que em si já não tenha sido
nem há nada a  ser dito
nem um feito a ser erguido
nem um algo acreditado:
só resta um vasto cansaço
só resta a casa vazia...

Humanidade...vai dormir
que amanhã é outro dia...

11 fevereiro 2017

Felicidade não se busca

felicidade não se busca
porque não pode ser buscado
um ponto que não está em um ponto
a ser alcançado

quem alcança o ponto almejado
logo vê o outro ponto mais adiante
e naquele ponto visto e não-chegado
mora a felicidade imaginada
e delirante

quem feliz se julga
é só um largo gole de vinho que traga
segura uma vela de chama fugaz
que a primeira ventania 
(e todo mundo sabe)
apaga

a felicidade
é como para o colecionador
o ato de encontrar
um raro selo:
só dura o momento do ato

só pode ser feliz
quem sabe que não pode sê-lo
de fato

09 fevereiro 2017

Dedicatória à Noite

entre o haver da noite
o que há por trás dos entes
do ventre da mata
que a manhã
desentranha e mata?

é isso talvez que me alta:
ver que o que há
(sendo ou não comigo)
vai em frente
numa cósmica noite
mais longa mais funda mais vasta

há o sempre haver da noite
e os seres que no atrás da mata
não existem entre os que não entreveem

trago no meu ser
como quem traga
grandes goles de álcool-éter
essa desestranhada estrada
que assim como eu:
é culpada!
em sempre haver a Noite...

07 fevereiro 2017

a vida esmaga a Vida

pé por pé
no dia a dia
e passo a passo
de pouco em pouco
a vida esmaga a Vida
que não é vivida
só consumida

de sol a sol
de hora em hora
o que é de alma 
se joga fora
e de grão em grão
de ovo em ovo
o homem choca
o homem chora
a encher o papo
a encher o bolso
a encher o saco
a encher o vácuo
do seu olho por olho
que o tempo traga

o homem
de queda em queda
dente por dente
pós-decadente
aos lusco-fuscos
não mais que cuscos
e quando se vê
é fogo-fátuo
menos que fósforo
que avança ao dedo
deixando só...
da cinza à cinza
do pó ao pó

05 fevereiro 2017

da Tormenta

o homem
(que já não tem reforma)
para hipocrisiar sua miséria
e na tentativa malinformada
de impedir que as forças se formem
formou toda forma
de (de)formações:

desde patéticas técnicas inarmônicas
até mecânicas máquinas estúpidas
só para nos acomodarem no nada
de nossas disformes fôrmas vazias

e pensamos entender
aquilo que se forma
com nossas fórmulas cálculos cossenos
a foder-nos

mas não podemos impedir 
que se forme a Tormenta

04 fevereiro 2017

Três Considerações sobre o Olhar

I - quando se Olha
(se quem olha tem olhar)
se fala
que há um além
da fala

II - já disseram
(Maupassant)
que a alma
está no olhar...
acrescento
que é a alma
quem olha:
quem não a tem
não vê
III - o Olhar
é o palco possível
do impossível

02 fevereiro 2017

Aumento da Desigualdade no mundo, Projeto para permitir a caça de Animais Silvestres... São os Idiotas no poder

Disse Nelson Rodrigues que "os idiotas vão tomar conta do mundo, não pela qualidade, mas pela quantidade". É o que está acontecendo. E não se pode entender por idiota somente os "burros" e os que "não pensam", ou os que não percebem as coisas ao seu redor. Também são idiotas, talvez até mais, os inconscientes, os egoístas, os dominados pelo ganância do dinheiro, os desprovidos de sensibilidade e de compaixão pela vida... Todos esses, que são muitos, demais, dominaram a humanidade,  e estão a levando ao abismo. Desgraçadamente, não há lugar para otimismos.

Há pouco tempo, em uma discussão política no Facebook, disseram-me que eu estava errado em afirmar que a desigualdade social estava aumentando no mundo; sustentavam o contrário. Bem, infelizmente, costumo ter razão em meus pessimismos. Há cerca de um ano, 50% da riqueza do mundo estava na mão de 80 pessoas. Hoje, esses mesmos 50% estão nas mãos de 62 trilionários. Quem duvidar, é só pesquisar na internet. Para onde iremos com tamanho absurdo de concentração de riquezas, que cresce a cada ano? Já disse: para o abismo.

E aqui no Brasil (por sinal, um dos países mais desiguais do mundo), um senhor que não merece meu respeito, o seu Valdir Colatto, deputado federal pelo lamentável partido do PMDB, representante do que há de mais estúpido dentro do agronegócio, não bastando todos os crimes cometidos contra nossa fauna todos os dias, como tráfico, atropelamentos nas estradas, comércio de peles, destruição do habitat, etc etc etc, inventou um projeto criminoso para liberar no país a caça de animais silvestres, sendo um dos motivos para abater um animal o fato de ele representar um SUPOSTO risco para proprietários de terras e seus rebanhos. Já imaginaram o que isso significará na prática? Que para abater um animal silvestre, uma onça, por exemplo, basta o assassino alegar que o bicho ameaçava uma das suas vacas. Fácil, não? Além do mais, o projeto do seu Valdir quer reduzir as já pequenas penas e multas por crimes ambientais, entre outros absurdos.

É, Nelson Rodrigues: tu tinhas razão. 


31 janeiro 2017

Sobre Planeta e Extinção

I - para o planeta
(em sua condição atual)
a vida de um tigre
representa uma importância muito maior
do que a vida de um ser humano

II
- a humanidade ainda acredita
que não será extinta 
pelas catástrofes planetárias
porque está no topo:
mas as catástrofes planetárias
(e isso nos ensina a história)
são justamente para derrubar
o que está no topo

III
- "como é acima é abaixo":
é claro que há 
uma sabedoria planetária\universal
ou haveria algum sentido
não haver sabedoria no planeta
mas ela ser encontrada de vez em quando
nos vermes que o habitam? 

29 janeiro 2017

Três Maldições

I - a diferença
entre o apenas intelectual
e o sábio
é que para o apenas intelectual
não há diferença

II - o problema
de ser ser humano
e se reconhecer como sendo
é que não se consegue mais acreditar
no ser ser humano

III - para as leis científicas
entre a humanidade
não existem zumbis

para as leis poéticas
entre a humanidade
só existem zumbis

28 janeiro 2017

Contra a postagem do Nova Pauta sobre os Protestos contra Sartori


Ontem, li o seguinte comentário ridículo, no mínimo, no site Nova Pauta, lá da minha cidade natal, Santiago, referente à visita de Sartori à cidade:



Sartori, ao ver as faixas de protestos, chegou e foi direto cumprimentar os manifestantes num gesto de cordialidade e de reconhecimento ao ato, "mas pro que foi": Muitos, além de não estenderem as mãos, ainda se viraram de costas e depois seguiram proferindo palavras de calão. Com isso, Sartori não falou, nem esquentou banco e rumou para Bossoroca onde foi inaugurar um trecho de asfalto na 168. Obs. O que devemos esperar dos outros quando os educadores cometem tal atitude com o chefe do Estado?

Primeiro: alguém acredita na sinceridade desse ato de "reconhecimento" e "cordialidade", como afirma o Nova Pauta? Óbvio que se trata de apenas mais um fingimento político. Segundo: em qual tipo de protesto sério, os manifestantes vão "bem faceiros" apertar a mão da pessoa contra a qual estão protestando? Só um idiota faria isso. Virar as costas é o mínimo que se espera. Ah, e o Nova Pauta ficou muito chocado com os palavrões, que ele chama de "palavras de calão"? Bem, essa é a típica hipocrisia brasileira. Todos os brasileiros usam palavrões, uns mais, outros menos, quase todos os dias, nas mais diversas situações, aliás, não só os brasileiros, o mundo inteiro. Os palavrões já foram incorporados à linguagem pós-moderna, fazem parte de nossa sociedade, estão na literatura, tanto na prosa quanto na poesia, estão no cinema, no teatro, enfim, palavrões são sim uma forma de protesto. E, terceiro, como mesmo o governo Sartori vem tratando os funcionários públicos? Acho que não é com respeito...


E respondendo ao Nova Pauta, o que devemos esperar dos educadores? Devemos esperar dos educadores, e de outros profissionais, que não sejam hipócritas "educadinhos", muito menos lacaios submissos dos poderosos, nem puxa-sacos subservientes, conformados, servis e rasteiros, que ajudem a formar estudantes críticos e conscientes, e que se manifestem com veemência e indignação na luta por seus direitos. E da imprensa de Santiago, o que devemos esperar?

26 janeiro 2017

Poemete para um Golpista

gabinete
palacete
com tapete
com sorvete
camionete

bracelete
de falsete
miquelete*
sem valete:
cafajeste

em banquete
no toalete
garçonete
omelete:
alcaguete*

governete
peidorrete
sem topete:

Marionete!

(*Miquelete: antigo bandido da Espanha.  *Alcaguete: homem que intermedeia encontros com prostitutas.)

24 janeiro 2017

Fuga

um verso
vazio
de nada
de adaga
ao longe
ao largo
ao vago
se sangra
a adágio
de água
que pedra
nenhuma
perturba
e afaga
nem nada
(a)tinge
no lago
sereno
de selva
tranquilo
de sopro
distante
que nada
infringe
se sábio
se silvo
serpente
se sonho
se esquece
se fogo
se ascende
e enfim
não disse
nem algo
nem vale
nem verso
nem nada