05 abril 2026

Soneto à Noite

frias lentidões roxas dos destinos 
pelas asas de exangues marchas fúnebres
eternas luas cheias longas lúgubres 
olham verdes ao canto dos felinos

e os sapos me noturnam ao que fascino
violinam árvores pelas artes tênebras
violoncelam céus pelas noites tétricas
e sinto o sangue dos crísticos vinos

ah Noite, a que segredo me destinas?
aspiro teu perfume pelas róseas
me inebrio entre estrelas hialinas

corvo-me pelas tuas tensas trévoas
sangram-me tuas trágicas felinas 
e o dia... ah que ande envolto pelas Névoas.