03 junho 2009

Última

esta é a última vez
porque depois de tudo
se o tudo for o nada

a minha voz mal dita
se abismará nos cantos do impossível...

as minhas mãos contritas
se perderão no espaço esvaziado...

a minha febre em vida
se queimará nas cinzas do já morto...

o meu olhar m...aguado
se afogará no mares do não-visto...

meu coração cravado
se enfartará nas garras dos abutres...

essa minha arte em chamas
se apagará nos incêndios do inútil...

e esta minha alma em flamas
se voará às bandeiras do fatal...

3 comentários:

Micheli Pissollatto disse...

Bá, agressivo. Belíssimo!

Agnes Mirra disse...

Uma coisa que adoro em seus poemas (entre outras) é como me sinto ao ler. Um efeito que dura bastante tempo...

Marcus Vinícius Manzoni disse...

Que coisa linda, tchê!