17 outubro 2013

O Governo PP em Santiago e a Política da Aparência

A administração do PP em Santiago, e não é de hoje, vem sofrendo de um mal bastante comum nos nossos dias, principalmente quando se trata de Brasil:  o da "Política da Aparência". É só em Santiago tal fenômeno? É ostensível que não. Mas como vivo aqui, falarei do que tenho visto em minha cidade. E seja como for, aqui se tem a forte impressão de que a "Política da Aparência" tem raízes bastante profundas, pois é muito bem vista pela sociedade em geral, preocupada, enfim, em ser contentada com o "belo" e com as "fachadas" pelos locais por ande mais se transita.

Aqui a política da aparência consiste em se investir no centro, enfeitando-o, deixando-o "ajeitadinho", e esquecendo-se do trabalho nos bairros, de nossos principais problemas sociais, como a ausência de oportunidades de emprego, como as questões ambientais, que vêm sofrendo um verdadeiro descaso por parte do poder público. 

Enquanto as ruas centrais foram asfaltados (aliás, parece-me que não com um serviço de grande qualidade, pois já começaram a ficar esburacadas) e luminárias novas e canteiros de flores foram espalhados pelo centro, o que é bonito, sem dúvida, as ruas de muitos bairros continuam sem calçamento, tapadas de pedras e buracos, não obstante as seguidas promessas de campanha. Soube pessoalmente de casos de ruas onde se cobra IPTU, mas não se calça porque se considera de zona rural. Exatamente. Um morador foi reclamar que havia sido prometido durante a campanha política municipal o calçamento de sua rua. Disseram a ele que a rua não poderia ser calçada, pois estava em zona rural. Com o detalhe de que o morador ( e demais moradores) pagava IPTU a mais de 20 anos. 

O acima citado é apenas um exemplo desse descaso com o que NÃO DÁ NA VISTA, mas existem vários outros. Esgotos a céu aberto, lixo acumulado nas margens das ruas e em terrenos baldios, cursos d'água totalmente poluídos, abarrotados de toda espécie de sujeira, esgoto doméstico despejado em arroios por não haver nenhum tipo de tratamento disponível, mau-cheiro espalhado por locais públicos... E todos eles afastados do centro. É que melhorar e deixar o centro bonitinho traz votos, é APARÊNCIA, e não é isso o que vale nos dias de hoje? 

Logicamente que a questão ambiental é responsabilidade também da população. Mas e ela recebe a educação devida para saber como evitar a poluição? A Cidade Educadora é uma ótima ideia. Mas pergunto: está chegando aos bairros? A quem mais precisa? Que atividades estão sendo feitas, por exemplo, para amenizar a caótica situação ambiental da periferia santiaguense? Tenho a impressão de que a Cidade Educadora é apenas um negócio de e para as elites. Corrijam-me se eu estiver errado.

E o emprego? Há os que garantem que há aqui em Santiago emprego para todos. Que tipo de emprego? Aqueles que se entra "de favor" em alguma empresa que paga mal e depois se tem que aguentar o que vier para não ser despedido? Ou será que é aqueles empregos em que se paga bem, mas que se precisa de algum apadrinhamento para se obtê-lo?

Outro ponto são os investimentos em cultura. Existem? Talvez, mas como são feitos? Com bustos de escritores espalhados pelo centro e calçadas da fama apenas para SE DIZER TERRA DOS POETAS? Com casinhas enfeitadas? Não há uma maneira melhor de se investir esse dinheiro? Eu sempre fui um crítico de feiras de livros. Não só das de Santiago. Na minha opinião, o dinheiro investido numa feira, que é muito mais um espetáculo para o divertimento do povo do que para VERDADEIRAMENTE promover a cultura, poderia ser muito melhor aproveitado com, por exemplo, um auxílio efetivo aos escritores da terra, SEM NECESSITAR SER DO PARTIDO DA SITUAÇÃO OU SEU SIMPATIZANTE, e, talvez ainda mais, com a valorização do trabalho dos professores, que lutam incansavelmente para possibilitar um resquício de educação a nossos jovens das escolas municipais. 

Mas tanto os governos municipais como as populações ignorantes preferem feiras de livros. Um espetáculo montado que me cheira a farsa. Houve uma feira do livro aqui em Santiago em que se pagou milhares de reais para uma palestrinha bem lugar-comum do Gabriel Pensador. E quem escreve aqui, na Terra dos Poetas, o máximo que consegue é um cantinho qualquer pra lançar seu livro. E ainda julgam isso o máximo. Desculpem-me, mas minha visão de cultura é outra.

Porém, por outro lado, não se pode condenar tanto o governo municipal pela "Política da Aparência". Afinal, é o que o povo quer. Rostinhos bonitos, ainda que almas podres. A humanidade toda é uma grande fachada. O homem é uma grande farsa.



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