31 março 2012

Imagem sob uma Melodia de Brahms

imagem que vejo o que tu não és
em teu não-ser é que estou:
a felicidade
(assim, isolada)
é aquilo que imagino que está
no que não está em ti
sou feliz no reflexo de mim
que reflexiono em tua ausência:
tu só podes ser
se te sinto na minha consciência

imagem que vejo o que te projeto
o meu sonho é o sonho que tu não tens
eu que sinto o teu não sentir
e tu vives por sentir em mim
e tu sonhas quando vivo em ti
sorrio quando povoo a tua ausência
tu só podes ser
se eu te sou a tua essência

imagem que vejo o que desejo
há outro mundo em ti que não habitas:
sou eu que astro o teu éter
eu que piano o teu canto
uma lágrima ao que em ti silência
imagem do meu alto
a minha alma
compensa a tua ausência

2 comentários:

Richard disse...

Quando o Ser não está, nós o fazemos à nossa imagem, talvez semelhança, mas sobretudo, desejo.

Um bom domingo, Reiffer.

Raquel disse...

Gostei. Vc usou o verbo reflexionar. neste momento, contemplando o seu poema, veio-me à mente não um ser em reflexões, mas em inflexões. E nessas inflexões é que, para mim, está a beleza delicada deste poema.