21 fevereiro 2012

Como ser alguém do Século 21 em apenas 21 lições rápidas e práticas

1)      1)  Consuma o máximo que puder gastar ( e talvez até mais do que puder), mas dê a desculpa, para os outros e para si mesmo, que você tinha real necessidade em tudo que consumiu. Não esqueça de fingir ter consciência de que se deve evitar o consumismo;

2)      2) Tenha consciência ecológica. Apenas tenha, mas não faça para mudar, afinal, a culpa não é sua;

3)      3) Finja não ter preconceitos com absolutamente nada. Guarde o seu preconceito somente para você;

4)      4)  Procure ser você mesmo, seja autêntico, desde que não difira dos outros. Seja diferente mantendo-se dentro do padrão ditado pela mídia e pela sociedade;

5)    5)  Se você for homem, trate a mulher como um produto, um bem, um prazer, de acordo com a premissa: “Praia, verãozinho, cervejinha, mulherada...”;

6)     6)  Se você for mulher, procure um homem somente pela segurança financeira e social que ele pode lhe oferecer, nunca esqueça que o importante é ser profundo. De bolso;

7)     7)  Tenha coragem de assumir seus gostos. Aprecie as músicas e as literaturas da mais completa chinelagem;

8)      8) Mantenha objetivos grandiosos, do tipo: adquirir o carro do ano, obter o mais recente modelo de celulares, aguardar a balada, aparecer nas colunas dos jornais, ir para a praia no verão, enfim, você sabe;

9)      9)  Finja que não acredita na mídia, mas no fundo somente se comporte como ela disser para você se comportar;

10    10) Pense o que todo mundo pensa. Mas nunca admita. Nem para você mesmo. Pensar originalmente é muito cansativo. E inútil; 

11   11) Mantenha uma eterna felicidade. Não importa como, e por mais superficial que seja. Alto astral sempre. A moda é ser feliz;

12   12) Sorria;

13   13) Fuja de si mesmo. Encontrar-se é muito deprê. E dá muito trabalho refletir sobre a vida. Aliás, dá trabalho refletir sobre qualquer coisa. Não há tempo, lembre-se disso sempre;

14   14) Seja otimista, ainda que a casa caia ao seu redor. Sendo otimista e pensando positivo, não se precisa fazer mais nada;

15    15) O sentido da vida é viver. Você está vivo? Ótimo, então não precisa buscar sentido em mais nada. Até porque você não vai encontrar;

16   16) Cultue a aparência e o prazer como se não houvesse outra coisa. Mas lembre-se: mantenha a aparência de que você não cultua somente a aparência;

17   17) Preocupe-se com o planeta, com os direitos humanos, com as injustiças, com as desigualdades... Preocupe-se, porque está na moda.

18   18) Autoajude-se;

19   19) Considere como retrógrada qualquer coisa que tenha algo de complexo e/ou de profundo e/ou de sublime; Agora, quanto mais simples e mais rasteiro, melhor;

20   20) Não Sinta. Sentir é ser fraco e ridículo. Chorar então, nem pensar;

21   21) Ame. Mas somente até o carnaval.

13 comentários:

Alê disse...

Putz!


Algumas parecem sob medida à minha mesquinharia =(


Essa sede se ter, é terrível!


Bjkas

MoiselleMad disse...

se eu acreditasse nos 10 mandamentos, diria que esses são os 21 novos.

Davi Machado disse...

gostei do 12!
hehe que sarcasmo!

Katrine disse...

A moda é manter as aparências enquanto se apodrece por dentro. É, resumidamente, é bem isso aí mesmo que deve-se fazer. E não é que a gente mesmo não acaba se rendendo a algumas dessas 'regras'!?

Muito bom o post. Um ótimo restinho de semana.

Victor Said disse...

Se fosse possível assassinar a língua portuguesa, eu com certeza seria o criminoso perfeito. Por favor Reiffer, exclua meu comentário. Esse passou da dose! rsrsrs Irei formatá-lo e postarei novamente.


Peço desculpas pelos erros e pela falta de incoerência.

Obrigado!

Victor Said disse...

Nasci no século passado. Descobri ainda cedo que meu nome possuía muitos significados e que nenhum deles rimava com a árvore que ganhei de presente no quinto ano de minha vida. Entrei no século vinte e um convicto de que o mundo não ia acabar. E meu mundo acabou dois dias depois com o raio que partiu e triturou a jabuticabeira nativa que vivia há séculos (imaginava) no alto do morro dos Henriques. Nunca me esquecerei daquele fatídico dia. Pois daquele dia em diante o meu século novo deveria ter a amplidão dos poetas, das mudanças e do entendimento de que nada é para sempre. Hoje, lendo como ser alguém no século vinte e um, percebo que não me adaptei totalmente a realidade dos dias atuais. Não totalmente porque a lição número doze é minha marca registrada. Não consigo deixar de sorrir, mesmo depois que um raio tenha destruído a jabuticabeira de minha infância.

MIRZE disse...

Excelen, Reiffer!

Vou tentar. Sou muito transparente, preciso me ocultar mais.

Beijos

Mirze

Juliana Dias disse...

Perfeito! Sábias dicas e palavras. Conseguiu ter um pouco de poesia, mesmo com a mais dura realidade. Parabéns!

Ligéia disse...

Um dos melhores posts seus! Ironia e sarcasmo na medida da realidade deste século.Gostei demais!

Joguete do Destino disse...

Super motivadora essas suas palavras,rs, na minha opinião a melhor foi essa: "O sentido da vida é viver. Você está vivo? Ótimo, então não precisa buscar sentido em mais nada. Até porque você não vai encontrar."

bj. ana karoline

Weimar Donini disse...

Em tese concordo com todos os itens e acrescento: a futilidade está tão grande que a relação é apenas exemplificativa. Muitas outras caberiam.
Discordo apenas no quesito relativo às praias. Entendo que v. deva referir-se àquela manezada que entende ser a praia local para beberagem, foguetagem, som alto e brega, lixo pelas ruas, pelas praias, enfim, todas aquelas coisas que estamos acostumados a presenciar.
Para mim, é um local de prazer e bem estar. Passo boa parte do ano no litoral em companhia de livros, boa música e bons filmes. Evito por lá permanecer nos dias de maior movimento, em feriadões, finais-de-ano, carnavais. A serra, neste caso é mais indicada.
Para mim praia não é sinônimo de sol, areia e badalação. Ao contrário. É curtir o silêncio, minhas árvores, os pássaros livres e a brisa. Ahh, a brisa. Esta é indispensável! Entendo que a melhor época para aproveitar o mar é no inverno. Ou na primavera, outono. Nunca no verão. As aparências não importam, embora entenda que pagando-se o olho da cara por uma hospedagem de 10 dias, as pessoas queiram aproveitar cada minuto de cada dia.
Nesta onda, perde a natureza. Polue-se à rodo e à granel.

ana disse...

Muito bom esse texto! Ironia crítica na medida certa!

E, infelizmente, é isso aí, mesmo...

Abraço!

ANA PAULA MILANI Z. disse...

Muito bom esse texto! Ironia crítica na medida certa!

Abraço!