14 janeiro 2011

Poema Catastrófico nº5 – Sem Saída*

não tenho culpa
se sou um
morro
e minha
água
lava
e leva
e mata
a leva
dos que levaram
a minha
mata

um dia fui só
mata-atlântica
e alegria de araras
hoje sou só
chuva-cáustica
e maresias amaras

há muito tempo
aqui estou
sem saída
e para lado algum
eu corro...

os humanos
sem saída
correm
e morrem
vindo até mim
e eu
deslizando ao fim
morro...

*Poema para a maior catástrofe climática da história brasileira, que deixou mais de 500 mortos, vítimas dos deslizamentos de terra provocados pelas enchentes na região serrana do Rio de Janeiro.

16 comentários:

Vampira Dea disse...

Vc consegue espremer beleza até das coisas mais feias...

Colecionadora de Silêncios disse...

Faço minhas as palavras da Vampira.

De fato, vc conseguiu fazer um belíssimo poema de um momento historicamente horrível.

Não há como explicar a tristeza que paira hoje sobre o Brasil...

Beijos :(

Richard Mathenhauer disse...

Penso que os poetas conseguem "espremer beleza" (Vampira Dea)mais na dor que na alegria.

Seus versos, como sempre, chegando até mais fundo.

FROILAM DE OLIVEIRA disse...

Reiffer
taí o grande veio, a essência de tua poética.
Poema extraordinário!

Patrícia disse...

Concordo com a Vampira Dea.
E infelizmente tudo isso que está acontecendo é o reflexo de como os homens tratam sua natureza, o meio-ambiente, enfim a nossa moradia.
Parabéns! Bjsss

Agnes Mirra disse...

É lamentável tudo isso...É também previsível!Cuidar da nossa casa parece ser a mais difícil das tarefas...

Metáfora do Tempo disse...

Com muita inteligência e sensibilidade construíste uma obra prima, parabéns!

Rúbida Rosa disse...

Poesia sintética repleta de significado. Gostei bastante.
Abraços literários!

angela disse...

Tão triste que aconteçam coisas assim nesse pais, por descuido que você retratou muito bem em seu poema.
beijos

Katia Cristina disse...

É realmente uma pena o que o dinheiro faz com o ser humano!
Tudo isso poderia ser prevenido se as autoridades fizessem seu papel.
Belo poema, apesar do fato.

Lully disse...

Fácil seria se os poemas surgissem apenas das borboletas o do azul do céu. Lindo, adorei!
Beijo, querido amigo =)

Claire Minuet disse...

oi Reiffer!!!!
ótimo poema ao trágico...
a Natureza é júri, juiz, réu... e Deus!

CARLA STOPA disse...

E viva a diferença...Cada um, à sua maneira contrói os seus significados sobre a vida e a morte...Também amei teu espaço. E te espero de novo.

Gisa disse...

Lamento da natureza frente a estupidez humana.
Um bj querido amigo.

Mirze Souza disse...

REIFFER!

Fazer-se rio e deitar aqui este poema comove até os menos sensíveis.

Cheguei a sentir os olhos marejarem.

Parabéns, poeta!

Erga seu grito!

Beijos

Mirze

Talita Prato disse...

"Espremeu beleza" com muito talento... Lindo poema, como sempre.
Parabéns