19 junho 2010

Apocalipse, de Augusto dos Anjos

A seguir, os versos proféticos de Augusto dos Anjos. Os versos proféticos de Augusto dos Anjos. Os versos proféticos de Augusto dos Anjos... Na imagem que acompanha o poema, o quadro "O Grito" de Edward Munch.

Apocalipse

Minha divinatória Arte ultrapassa
Os séculos efêmeros e nota
Diminuição dinâmica, derrota
Na atual força, integérrima, da Massa.

É a subversão universal que ameaça
A Natureza, e, em noite aziaga e ignota,
Destrói a ebulição que a água alvorota
E põe todos os astros na desgraça!

São despedaçamentos, derrubadas,
Federações sidéricas quebradas...
E eu só, o último a ser, pelo orbe adiante,

Espião da cataclísmica surpresa,
A única luz tragicamente acesa
Na universalidade agonizante!

6 comentários:

Sonhadora disse...

Meu querido poeta
Um poema profético...futurista e talvez actual no momento presente.

beijinhos
Sonhadora

Richard Mathenhauer disse...

Lendo e conhecendo.
Desconhecido estes versos do Augusto dos Anjos. Do Augusto do Anjos. Do Augusto. Dos Anjos, agora.

Com amizade, Reiffer.

Mensageiro Obscuro disse...

Eis meu poeta favorito: Augusto dos Anjos. Esse texto chegou a me lembrar o horror de H. P. Lovecraft.

Lara Amaral disse...

Poeta e pintor são uns dos meus favoritos.


Te respondi por e-mail ao seu comentário.

Abraço.

Fernández disse...

Lembro-me da primeira vez que li Augusto, ha muito tempo... Foi um sinal em minha vida. E foi aí que pensei: Cara, eu vou escrever tbm...
Claro que falta muito ainda pra chegar nesse nivel. Mas eu continuo tentando!

Leticia Duns disse...

Ligação perfeita entre quadro e poema !

Eis que tal profecia se faz agora e sempre piorará...

Beijos
Leticia Duns.