16 março 2018

Bolsomito não passa de Mito. Ou nem isso.

Jair Bolsonaro é alguém que deve ser desmascarado. Nem é necessário comentar sobre suas declarações racistas, misóginas, preconceituosas, muitas vezes desumanas, que beiram à monstruosidade. Elas falam por si próprias, montadas em sua ignorância escrachada. Já a tão propalada "honestidade" de Bolsonaro não passa de um verniz falsificado, e o seu recebimento de propina nos tempos do PP, devolvida ao partido e recebida de volta como verba partidária, assim como seu rápido enriquecimento e suas suspeitas de lavagem de dinheiro, estão aí para desmoronar o "mito" do Bolsonaro honesto.


No entanto os eleitores de Bolsonaro formaram uma seita de fanáticos e não querem saber de nada. Talvez, porque sejam como ele. Talvez, porque não têm paciência para analisar as questões a fundo. Seus defensores tentam justificar das maneiras mais esdrúxulas todos os seus atos e não-atos. O discurso vazio e simplista do Jair serve para criar uma série de refrões que lembram os refrões de músicas de funk: não dizem nada, mas pegam, grudam, ficam na cabeça dos que não se ocupam em pensar muito. Ou seja, é fácil, como as "soluções" apresentadas por Bolsonaro na sua quase ausência de projetos para o país. A partir disso, desenvolvem-se justificativas que pouco importa se são fundamentadas ou não, como as justificativas utilizadas por torcedores de time de futebol numa discussão: não entra racionalidade, só o fanatismo. Por exemplo: para solucionar o problema da violência no Brasil, segundo os bolsonetes, é só armar a população, e as pessoas mesmas matarem os bandidos, ou quem elas acham que são bandidos. Pronto, tudo resolvido fácil, fácil.



E uma das justificativas mais disseminadas é para o fato de o deputado carioca ter apenas dois de seus projetos aprovados em 26 anos de vida pública (26 anos!). Para os bolsonetes, foi por culpa dos outros deputados que não votaram pela aprovação. Bolsonaro apresentou 166 projetos. Na verdade, não interessa quantos projetos eles apresentou, mas o que consta nesses projetos. E surgem alguns pontos:

1) O pessoal que vota no "Messias" afirmava, na época do impeachment da Dilma, que ela deveria deixar o governo porque não conseguiria aprovar projetos na câmara ou no senado... Humm, mas o Bolsomito consegue, não é? Dois em 26 anos.

2) Eu pesquisei o conteúdo dos projetos do "Mito". Dos 166 projetos, cerca de 60 são para beneficiar apenas os militares. Ou seja, corporativismo descarado. É compreensível o porquê de militares o apoiarem tanto.

3) Do restante dos projetos, muitos estão naquela coisa do nacionalismo fajuto do qual ele tanto se orgulha. Por exemplo: cantar o hino com o mão direita no peito, aplaudir a bandeira (tipo o que ele fez, há algum tempo, diante da bandeira dos EUA e do Trump), proibição do uso de palavras estrangeiras em estabelecimentos comerciais... Outros projetos têm a ver com a sua "moral" e "bons costumes", que se relacionam ao planejamento familiar e à proteção da criança. O planejamento familiar deve ser para que não nasçam mais mulheres ou negros. 

4) O que sobra dos projetos tem a ver com a regulação de uso de álcool e fumo em determinados locais e com algumas medidas vitais para a economia do país, como isenção tributária para grupos bem específicos, nunca para o povo em geral. Bolsonaro queria, por exemplo, conceder isenções fiscais para a indústria automobilística e para taxistas. Para os taxistas eu concordo. E até tem umas coisas boas nas suas ideias, como descontos para portadores de diabetes e para idosos em transporte aéreo.

Uau, esse cara vai salvar o país!

Nenhum comentário: