21 abril 2013

O que é mesmo Terrorismo?


É terrorismo explodir bombas em lugares públicos, durante eventos e comemorações, matando pessoas inocentes? Obviamente que sim. Mas também não é terrorismo a dominação político-econômico-cultural, a imposição da lei do mais forte a outros povos e nações também inocentes? E o que é exatamente ser inocente? O pensamento americano de que eles, e somente eles, são o centro do mundo não é algo presente na mente e no comportamento da grande maioria dos cidadãos norte-americanos? Isso também não é uma agressão à humanidade? E também não é uma forma de terrorismo?

A reação terrorista é violenta, brutal, inaceitável? Sem dúvida. Mas e o que provoca essa            reação? Somente a religião? É fácil culpar os homens pelas suas supostas atitudes religiosas, porque dessa forma, intencionalmente, ocultam-se os motivos mais profundos, mais complexos, onde se escancara a injustiça dos dominantes sobre o dominados.

O que dizer da atuação exploratória, predatória das grandes multinacionais nos países subdesenvolvidos? Há justiça no neocolonialismo? E os seus absurdos lucros obtidos? Obtidos em cima do quê? De quem? Quem paga o lucro estratosférico das grandes empresas? Paga de que forma? Consumindo? O consumismo é uma escolha absolutamente livre de cada indivíduo ou é uma imposição dissimulada da mídia? Seria isso terrorismo? A quem serve a grande mídia? Aos oprimidos?

A concentração de renda não seria a mais sórdida categoria de terrorismo? A concentração é legal, a lei permite. Aí se encontra a sua maior malignidade. O diretor de uma grande empresa trabalha mais do que um agricultor familiar no campo? Então, por que mesmo sua renda é inconcebivelmente mais alta? E isso não é terrorismo? Quando o terrorismo é praticado pelas elites, não se chama terrorismo, chama-se sistema financeiro, chama-se bancos e banqueiros, chama-se “desenvolvimento”, chama-se  “progresso”.

O dito “marginal” que assalta, as quadrilhas criminosas que se proliferam, a violência dos centros urbanos devem ser combatidos e punidos? Logicamente. Mas e o que ocasiona tal violência? E o desejo de consumo, alimentado, por exemplo, pela televisão, pelas vitrines dos shoppings, pela ditadura da “vida feliz” dos nossos dias, esse desejo imposto pelos padrões da sociedade, não é uma atitude terrorista? E os que não podem satisfazer essa imposição intitulada “desejo de consumo” porque a sociedade não lhes permite devido às “regras do sistema”...  esses fazem o quê? E quem estabeleceu tais “regras”? Com que propósito? Pelo benefício de quem?

É cômodo dizer que os homens são terroristas, assassinos, criminosos, violentos e que devem estar mortos ou atrás das grades. E talvez realmente o sejam. Mas o que ou quem os fez assim?


“Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem.”

Bertolt Brecht




3 comentários:

Janice Adja disse...

Neste caso terrorista e assassino.
Quantos pais aplicam o terror para poder educar seus filhos. Chantagem é um tipo de terrorismo e as pessoas não se dão conta que aplicam o tempo todo.
Beijos!!!

Ana Bailune disse...

O importante a saber, e que muitos jamais perguntam quando a arma atira, é: "Quem ou o quê apertou o gatilho?"

Camila Monteiro disse...

Existem milhões de formas de terrorismos e as vezes nós mesmo cometemos alguma delas e não percebemos!
Excelente texto esse teu!

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Boa sorte!