19 janeiro 2013

Marginalia, de E.A.Poe

Tendo em vista que hoje o grande Edgar Allan Poe, a quem a literatura, a arte moderna, o cinema e até mesmo a psicologia devem muito, completaria 204 anos, deixo alguns trechos de uma obra bem pouco conhecida, mas não menos importante, do gênio americano. Trata-se da  Marginalia, algo como uma reunião de breves escritos entre filosóficos e poéticos, algumas vezes passando por uma intensa ironia.

No trecho a seguir, percebam o acerto do poeta quanto à sua previsão da "rapidez" da vida moderna:

"O progresso realizado em alguns anos pelas revistas e magazines não deve ser interpretado como quereriam certos críticos. Não é uma decadência do gosto ou das letras americanas. É, antes, um sinal dos tempos; é o primeiro indício de uma era em que se irá caminhar para o que é breve, condensado, bem digerido, e se irá abandonar a bagagem volumosa; é o advento do jornalismo e a decadência da dissertação."

No seguinte, deixa-nos um conceito de artista:

"Um homem de certa habilidade artística pode muito bem saber como se obtém certo efeito, explicá-lo claramente e, contudo, falhar quando quer utilizá-lo. Mas um homem que possua certa habilidade artística não é um artista. Só é artista aquele que pode aplicar, com felicidade, seus mais abstrusos preceitos."

Abaixo, Poe fala de como se adquirir inimigos:

"Aprouve-me, algumas vezes, imaginar qual seria a sorte de um homem dotado - para desgraça sua - de uma inteligência superior em muito à de sua raça. Naturalmente, ele teria consciência dessa superioridade e não poderia, por ser, sem dúvida, constituído como os outros homens, deixar de manifestar essa consciência. Adquiriria, assim, inúmeros inimigos. E como suas opiniões difeririam profundamente das de todos, seria ele facilmente colocado no número dos loucos."

Sobre a calúnia:

"Caluniar um grande homem é, para os medíocres, o meio mais rápido de, por sua vez, alcançarem eles a grandeza. É provável que o escorpião jamais se tivesse tornado uma constelação se não tivesse tido a coragem de morder o calcanhar de Hércules."

Da nossa adoração:

"Os romanos honravam suas insígnias, e a insígnia romana era , algumas vezes, a águia. A nossa insígnia não é senão o décimo de uma águia - um dólar - mas não nos embaraçamos em adorá-lo com uma devoção dez vezes mais forte."

Para finalizar, sobre a vingança, onde Poe deixa uma sutilíssima ironia:

"Pode haver coisa mais doce para o orgulho de um homem e para a satisfação de sua consciência do que o sentimento de se haver vingado plenamente das injustiças de seus inimigos com o ter-lhes sempre e simplesmente feito justiça?"

5 comentários:

Janice Adja disse...

O que ele deixou é fascinante.
Beijos.

Weimar Donini disse...

Bem lembrado, Reiffer.
Os clássicos iluminam o nosso saber e orientam seus seguidores.
Apesar de viver apenas 4 décadas, Poe deixou-nos um profundo e instigante legado poético.

Enigma disse...

Olá Reiffer,

Sempre excitante (excelente).
Parabéns!! Bj

Ligéia disse...

E é por esse homem de 204 anos que sou apaixonada.

Turismóloga disse...

Sempre ouvi falar dele, mas nunca li nenhuma publicação do mesmo.

GOSTEI!!!

Vou correndo atrás de algo. Estou curiosa.

Beijo