18 abril 2011

Disse-me o Demônio

disse-me o demônio que não-sendo existia
sem ser falava a mim seu eu
que (ele) se vive por e de olhar e olhos
(dos outros)
fluidificando somente a si (dos olhos)
o que flui pelos magnetismos corrompidos
(ab)sorvendo o denso do amor
e o fogo das entranhas do brilho
inspirando o amargo do veneno
com a inspiração em amargamente vazio
do que fluiu com esperança a largando
essência do olhar desnobrificada
raio dessentimentalizado
de sol que se solidificou
e quedou em degener-essência

e agora o demônio sem ser
é que é em si o deixar do olhar
tomou à sua vista o esvaziado
a alma do olho é agora o que erra
e o Demônio
é o único homem sobre a Terra

(Na imagem, detalhe da escultura "Lúcifer" de Guillaume Geefs)

10 comentários:

Lara Amaral disse...

Ótimo, Reiffer, bom te ler!

Abraço.

Ligéia disse...

Reflexivo... O homem à semelhança do demônio.

Sonia disse...

O Demônio é o único homem sobre a Terra? É o que parece mesmo...


Um abraço!

Cristina disse...

Olá, obrigada pela visita no Destino.
Gostei muito da forma que escreve..Parabéns mesmo!
Bjss

suh disse...

Conheci teu trabalho por curiosidade pelos papéis dispostos sobre a bancada da biblioteca da faculdade. Hoje, cada vez que cruzo por aquele corredor, acabo entrando mesmo sem motivos, por aquelas portas de vidro, só pra ver se tuas novas poesias estão por alí nos esperando. Sem demagogias, me declaro profunda admiradora de teus pensamentos.

-Desejo-te Paz, Luz e Sorte em tudo que fizeres nesta vida.

"...o resto, é silêncio"

A. Reiffer disse...

Bem, Suh, gostaria de te agradecer em teu blog, mas tu não tens um, e também em teu perfil do blogger não há e-mail de contato, então deixo meus agradecimentos aqui. Obrigado. E desejo-te o mesmo que me desejaste.

A. Reiffer disse...

Ah, a biblioteca da faculdade a que tu te referes é a da URI Santiago? Se for, em breve devo deixar material novo por lá.

suh disse...

Só agora eu ví tua resposta, perdoe-me o atraso. É sim, a biblioteca é da URI-Santiago. Sou uma aspirante a arquiteta e urbanista, que vez em quando se perde entre as estantes dos livros de poesia rs.
Espero por encontrar mais de teu trabalho por lá.

Bons dias para vc, poeta.

angela disse...

A sua imagem e semelhança.

Julia Trombini disse...

Profundo.
Parabéns Reiffer.