08 março 2010

Os Bugios Resistem


Passei este fim de semana na fazenda de meu tio, na região do rio Itacurubi. Estive lá harmonizando-me na imensidão dos campos, na profundidade das matas, na magia das águas, na pureza dos ares. De modo que retornei revitalizado.

Fora isso, o que também me deixou muito feliz foi constatar que os bugios estão lá, ainda, apesar da febre amarela que assolou o RS ano passado. Talvez agora não haja tantos bugios como havia até o verão de 2009. Mas ainda há várias famílias por lá. Apesar de não poder fotografá-los desta vez, como o fiz ano passado, fiquei satisfeito em ouvir os seus roncos magníficos, que já é um símbolo de nossas terras

Agora pergunto: os gaúchos que "amam sua terra" vão acabar com mais esse símbolo? Sim, por que os bugios no RS não morreram só de febre amarela. Muitos deles foram mortos envenenados por agrotóxicos (e ainda o são) e outros foram assasinados por perversos ignorantes que não sabem que o bugio não transmite a febre amarela ao homem, é o mosquito que transmite. Os bugios também são vítimas dos mosquitos. E ainda servem como um espécie de "termômetro" para sabermos se os mosquitos de determinda região estão contaminados ou não com o vírus da febre amarela. Quando um bugio morre pela doença, está dado o alrme. Se não há bugios, o alarme só será dado quando humanos adoecerem.

E mais uma coisa: o haemagogus, mosquito selvagem transmissor da febre amarela, não gosta de picar próximo ao solo, pois acha o ambiente muito úmido e escuro, o haemagogus prefere picar nas copas das árvores, onde é mais claro e seco. Por isso, os macacos são suas principais vítimas, lembrando que esse mosquito se alimenta predominantemente do sangue dos primitas. Porém, quando não há macacos, o haemagogus vê-se obrigado a descer ao chão para se alimentar. E então, pica o homem. Por isso, matar os bugios, ou qualquer outro macaco, além de ser uma maldade imperdoável, é de uma ignorância vergonhosa.

Na foto, uma família de bugios. O observador atento poderá constatar que ali há 5 bugios. Pai, mãe e 3 filhotes.

4 comentários:

Leca disse...

Eu me considerava uma pessoa observadora...mas não vi os 5 bugios...só 3...
É muito triste a ignorância das pessoas...com os bugios e com todas as espécies...o medo, a covardia e a prepotência estão acabando com a flora a fauna...e com a raça humana...esse assunto me tira o juízo...
Parabéns pelo post...esse é um assunto que merece um crescente destaque...
Tomara...que na sua volta à fazenda...essa triste realidade tenha se transformado...
Beijo
Leca

Renata Bezerra disse...

Reiffer...

Sou gaúcha e tenho um certo "apego nostálgico" pelos bugios... Lembro dos acampamentos no meio do mato e dos "roncos dos bugios" na madrugada, que eram meio misteriosos, meio assustadores... Obrigada pela visita em meu blog, e volte sempre.

Abraço.

Milton Ribeiro disse...

Sou um murbano crasso, mas adorava ouvir minha mãe contando dos bugios que há ou havia em Cruz Alta. Certamente este animal poderia ser o maior símbolo gaúcho: não se adapta ao cativeiro, ronca assustadoramente -- mas é tímido --, usa barba -- mas é tímido --, além de ser pouco ativo e vulnerável... Eu adoro esses bichos e, pô, deem um jeito nos mosquitos, carajo!

V. Linné disse...

Em minha ida ao campo, há pouco tempo, só o que vi foram gansos a grasnar por toda noite e dia adentro.

Não via a hora de voltar ao sossego da cidade.

Lindos bugios.