01 outubro 2009

Revista Soturna - Entrevista

A revista digital SOTURNA é especializada em arte sombria e está em sua segunda edição. O responsável por sua realização é o poeta carioca Alexandre Souza. Em seu segundo número, a revista prova todo seu potencial, com matérias de peso, excelentemente elaboradas, abordando literatura, música, pintura, artesanato e ocultismo. Destaco as magistrais matérias sobre o poeta maldito austríaco George Trakl, sobre a pintura macabra de Bruno Amadio e o impactante trecho extraído do livro Bestas, Homens e Deuses, de Ossendowski. O download da revista pode ser feito no link: http://www.4shared.com/file/136531770/cb1e8ace/soturna_2.html

Para a revista SOTURNA, concedi a entrevista que está abaixo:

Alessandro Reiffer
o poeta do Fim

por Sr. Arcano

Seus contos trazem um estilo característico, uma marca em seu modo de escrever, que mescla a realidade com temas apocalípticos. Sua poesia é a personificação desse estilo, repleta de imagens que se misturam e ascendem às ilusões, loucuras e devaneios noturnos de sua mente, em um processo de criação onde o caos divide espaço com seu gênio criativo. Alessandro Reiffer, o arauto do Fim.

Espalha seus poemas e contos através do fanzine “Poemas do Término e Contos do Fim” para diversos leitores em todo o Brasil, e é autor do livro de contos “Contos do Crepúsculo e do Absurdo”. Conhecido por seu estilo inconfundível, Reiffer é atualmente uma das principais expressões poéticas e literárias em nosso meio, e um dos autores mais importantes em nossa cultura. Numa breve entrevista, ele nos fala um pouco de sua arte literária, onde também podemos conferir dois de seus textos mais recentes.

Alessandro, seus poemas e contos refletem bastante sua idéia sobre "O Fim". Poderia explicar melhor sobre esse termo que você tanto usa?

Vejo-me como uma espécie de arauto do fim, alguém que através da arte intenta mostrar ao homem que seus atos o estão levando ao fim de sua civilização. Esse tema com suas diversas variações centraliza minhas obras. Claro que ele é bastante abrangente. Assim, falo de tudo que acaba: da morte, do dia, do amor, enfim, englobo todos os temas dentro do “Fim”. Dessa forma torno minha obra ao mesmo tempo sombria, melancólica, trágica, catastrófica, e mais atual impossível.

Em seus folhetos "Poemas do Término e Contos do Fim" você costuma distribuir gratuitamente seus textos para diversas pessoas. Como tem sido o retorno dos leitores?

Tem sido excelente. O zine está em sua 35º edição e todas elas se esgotam rapidamente. Várias pessoas têm seu primeiro contato a partir do zine, e então me escrevem ou acessam meu blog. A tiragem média tem sido de 400 exemplares. Não faço mais por questões financeiras. O zine é distribuído em várias cidades do Brasil, principalmente no RS.

Em seu livro "Contos do Crepúsculo e do Absurdo" há contos que misturam realidade, fantasia e ficção, onde a narrativa é única, um estilo inconfundível que os leitores percebem logo como sendo seu. Seria uma forma de se expressar no conto algo que você consegue em poucas linhas na poesia?

Muitas pessoas dizem que uma das características de meus contos é que eles são bastante poéticos. Eu concordo, de fato a poesia é algo tão forte em mim que ela naturalmente é transmitida a meus contos. Às vezes isso é intencional, às vezes não. O certo é que vejo o conto como um momento literário a que se deve dar o máximo de efeito em poucas linhas. Esse efeito é a emoção, o choque, o delírio, o assombro, a imaginação, o suspense, enfim. Creio que em alguns casos, uma linguagem poética intensifica e enriquece os efeitos do conto.

Em seus poemas, a criatividade é fascinante. Mas há também todo um lado ideológico. Como você definiria o tipo de mensagem que você tenta passar aos leitores com sua poesia?

Seria difícil para mim falar sobre isso, pois a mensagem depende muito do entendimento do leitor, um poema nunca é totalmente do autor, mas também de quem o lê. Já houve pessoas que entenderam em meus poemas coisas que não intentei dizer. Isso faz parte e não significa que o leitor esteja errado. A literatura é assim mesmo, desperta inúmeras interpretações, a arte é assim, e é isso que faz dela algo tão fascinante. Costumo dizer que o artista não é o dono da arte. Ele é um instrumento dela. Pode, assim, dizer coisas que nem pensava em dizer. A arte é sempre maior que o artista. Eu sirvo a ela. No entanto, posso dizer que minha mensagem está ligada a dois pontos básicos: que tudo tem seu princípio e seu fim, mas o fim é também uma volta ao princípio, e que há muito mais coisas no universo que as da nossa vida cotidiana.

Sua poesia é admirada por um grande número de leitores, mas ainda não foi publicado um livro seu de poemas. Há previsão para que isso aconteça?

Estou com meu primeiro livro de poesias pronto, apenas esperando alguns patrocínios para publicá-lo. Isso deverá ocorrer até o final deste ano ou, no máximo, no início do outro. O livro deverá conter mais de 200 poemas, selecionados entre minha produção dos últimos 5 anos. Seu título é “Poemas do Fim e do Princípio”.

Atualmente, onde os leitores podem encontrar algo de seu trabalho?

Em meu blog: http://www.artedofim.blogspot.com/, em vários sites da net, cujos endereços se encontram em meu próprio blog. Eventualmente, também em alguns jornais e revistas, e no meu zine acima citado. Quanto ao meu livro, pode ser adquirido comigo mesmo pelo e-mail:
reiffer@gmail.com

Agradeço a meu amigo Sr. Arcano por essa oportunidade e o parabenizo por seu trabalho dentro da literatura sombria brasileira, o qual tem sido de fundamental importância.

Um comentário:

Marcus Vinícius Manzoni disse...

Temos-te então, como arauto do Fim.

Alessandro, dá uma passada no meu blog pra ver o que postei por lá.

Abraço.