17 janeiro 2009

O Desaforo de Yeda

O célebre poeta romano Ovídio estava prestes a se tornar um senador de Roma, quando renunciou ao cargo. Motivo? Declarou que sentia repulsa pela política e que havia nascido para ser poeta. Não sacrificaria sua arte em nome de algo tão baixo.

Desde os tempos de Roma, e até antes deles, obviamente, a política vem causando repugnâncias nos homens de sensibilidade. O nojo mais recente que senti proveniente das imundícias da política foi da louvável decisão da governadora paulista do Rio Grande do Sul: comprar um jato de 26 milhões de dólares para suas viagens. Com o dinheiro do povo, é claro.

O colunista do Correio do Povo, Juremir Machado da Silva, ontem, abordou perfeitamente o assunto, com uma incisiva ironia. Mas sempre vale a pena bater mais nessa fétida tecla, ainda que seja com este humilde blog. O que tenho a dizer sobre o fato? Que cada vez tenho mais nojo da política. É no mínimo um DESAFORO que a nossa governadora, alegando que nosso Estado está quebrado e afundado em crise, gaste a bagatela de 26 milhões de dólares para comprar um jatinho para seu uso. E irão permitir isso os nossos deputados? E ninguém fará nada para impedi-la? Não, por favor, não façam nada.

Pois agora está justificado o porquê do governo não querer cumprir a lei e pagar o piso de 950 reais para os professores gaúchos. Está certíssima a governadora. Se pagar, não dá para comprar o jatinho. Façam as contas, quanto pisos de 950 reais são necessários juntar para comprar algo de vital importância ao desenvolvimento do Estado como é o jato da governadora? Tem gente reclamando que o dinheiro para comprar o jato é de um montante superior ao destinado para a segurança no RS. E daí? Que seja. Quem precisa de educação e segurança? Precisa-se de um jatinho.

Antes de mais nada, professor só presta para tentar educar crianças que os pais não se prestam para educar em casa. Não, professor presta também para tentar tirar marginal da marginalidade, como se isso fosse possível. Enfim, professor só presta pra tentar transformar o Brasil num país sério. O Brasil, um país sério? Hehehe!

Quanto à segurança, qual a utilidade dela? Imaginem que vida tediosa teríamos vivendo com segurança... Sair nas ruas sem a tensão de poder ser assaltado ou morto não tem graça nenhuma. Por isso que eu digo: um jatinho vale muito mais a pena, pois reis, rainhas, imperadores e a nobreza em geral, têm todo o direito de ter um povo que trabalhe e se sacrifique para que eles vivam no luxo. Não é assim desde sempre? Quem disse que o mundo mudou? Ouvir essa expressão “o mundo mudou” me causa ânsias de vômito.

Então, deixem a governadora. Ela é política. Precisa voar um pouco para ver se tira do nariz o mau-cheiro das fezes da política em que vive afundada. Ainda bem, Ovídio, que tu não foste senador.

4 comentários:

Walmir disse...

Tenho procurado me afastar de tudo que cheira a política partidária, que me deu canseira demais. Quando volto, tempo dado, dou com as mesmas sacanagens. Putificaram-se todos e putificados ostentam suas largas e vaidosas bolsas, fazem vida. Talvez melhor, fazem mortes.
Paz e bem, mano.

Rynaldo Papoy disse...

Sinto vergonha em saber que a lastimável governadora gaúcha é paulistana como eu. No ano que vem, mandem de volta para SP.

Soturna Noite disse...

Logo após os planos do estado para educação, a sucateação, planos como redução de turmas, além de toda situação dos professores no estado, o que não é novidade (todos acompanhamos o que se falava na mídia em relação a isso, poucos se atreveram ir contra a Yeda, salvo algumas vezes que até quem estava ao seu lado não ageuntou e criticou, muitas vezes por oportunismo), surge isto a compra do aviãozinho. Projetos a fim de regular o número de consultas dos professores no IPE, são uma palhaçada e tudo, alegam, para redução de gasto. As pessoas no senso comum acreditam que os professores já ganham bastante para profissão, tudo que a governadora (que foi professora de economia, rsrsrs) quer, o desmerecimento da classe, para continuar a preparar pessoas para apertarem parafusos, consumirem e não pensarem. Quanto a política apesra de concordar com as cenas que vemos e que smepre houveram manipulações e mentiras no meio, é impossível escapar dela, você pode não gostar de partido nenhum e votar nulo (o que vale menos ainda do que um voto para o menos pior na prática, não estou falando para a pessoa consciência própria, etc). O ato ou pensamento de estar contra os acontecimentos sociais determinados pelos "donos do poder" já é político. Um exemplo é este, talvez outro governador ou governadora não fosse gastar essa grana num avião que tem 12 anos, o que é considerado novo para o modelo, segundo algumas pessoas do ramo declararam. Mas enfim, não queria entrar neste assunto. O fato é que a privatização da educação é tudo que ela quer, aquele discurso de que o estado é como uma empresa, hahaha, as pessoas usam e esquecem que empresas apenas admnistram a grana para dar lucro ao empresário e pagar os funcionários muito menos do que eles necessitam,além do que os empresários não possuem o dever do estado de manter as necessidades básicas, oq ue não é favor nenhum pois ele existe na "democracia" para isso ou não?pois pagamos para isso (não é a liberdade, democracia capitalista, neoliberal que tem este discurso). O Estado não é como um empresa ou melhor não deveria ser, e a Yeda como economista acredita que é e fará de tudo para que seja, diz que não privatizou o Banrisul mas vendeu 50% das ações. Esses projetos da secretária de educação com o apoio da Yeda para estimular a competição entre as escolas, detonará ainda mais a educação, pois todos estamos cientes da diferença por exemplo de uma escola estadual no centro e uma no meio da vila, são diferentes as pessoas que frequentam as do centro tem mais condições de viver melhor e conseguem estudar melhor, além de possuirem mais acesso aos meios de informação além TV aberta privada.

technology disse...

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