16 agosto 2017

Urubus e Abutres estão desaparecendo. A causa é um anti-inflamatório. Consequência para o homem: surgimento de novas pragas e epidemias

Abutres e urubus não são propriamente animais simpáticos para a grande maioria das pessoas. Quem gostaria de ter um de estimação? Eu, no entanto, nutro uma enorme simpatia, e mais, uma admiração profunda por esses sombrios, majestosos e IMPRESCINDÍVEIS animais do luto. Mas luto mesmo é saber que, em nosso planeta, o qual já perdeu, em número, segundo estudos, cerca da METADE de seus animais selvagens, abutres e urubus estejam agora correndo risco de extinção em várias de suas espécies.  A situação é mais grave na Ásia, África e Europa, e a culpa, é claro, é do homem. A causa principal é um anti-inflamatório veterinário: o diclofenac. No Brasil, POR ENQUANTO, eles estão a salvo, com exceção do Urubu-Rei, espécie quase extinta.

 As chamadas "aves da morte" são os "limpadores" da natureza, evitam a disseminação de doenças e de seus animais vetores (ratos, moscas, baratas). Algumas  dessas doenças, provavelmente, nem ainda são conhecidas. Sua extinção poderia acarretar o surgimento de epidemias nunca antes presenciadas e fatais para o ser humano. 

Acompanhe a matéria a seguir, publicada no site Opinião e Notícia

"A população mundial dos abutres corre sério risco de extinção. Na África, por exemplo, das 11 espécies da ave que vivem no continente, seis estão em risco de extinção e quatro estão criticamente ameaçadas. Os dados são de um recente estudo da BirdLife International, instituição dedicada à preservação da natureza. A população de abutres na Ásia encolheu 99% desde a década de 1990. 

Em 2003, cientistas identificaram como causa para a redução um tipo de anti-inflamatório chamado diclofenac, usado para tratar gados. Abutres que se alimentaram da carcaça de gados tratados com a droga morrem de falência renal semanas pouco tempo depois. A Índia proibiu o uso do diclofenac após constatar que a redução da espécie no país estava ameaçando a cultura das comunidades parses indianas, que não enterram nem queimam seus mortos, mas os colocam em altas torres chamadas dokhmas para que sejam comidos pelos abutres. Paquistão e Nepal também baniram o medicamento, o que estabilizou a população de abutres na região. 

Mas o diclofenac continua sendo amplamente usado na África e brechas nas leis da Europa permitem sua comercialização em cinco países do continente, incluindo Espanha e Itália, onde vivem 90% da população de abutres da Europa. 

Na África o uso do medicamento contra abutres é intencional. Caçadores ilegais usam o medicamento para impedir que a presença de abutres exponha a localização das carcaças de animais caçados de forma irregular. Espalhada na carcaça dos animais caçados, a droga elimina os abutres. Em 2013, uma carcaça de elefante foi encontrada na Namíbia cercada por cerca de 600 abutres mortos. 

 A questão é tão crítica que está sendo discutida pelo Parlamento Europeu e pela ONU. 
Em outubro do ano passado, representantes da ONU se reuniram em Trondheim, Noruega, e concordaram em colocar 12 espécies de abutres na lista vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza."

14 agosto 2017

Homens de Bem

tantos que se julgam grandes
mas não passam de bananas
e do mesmo cacho

tantos que se julgam rochas
mas não passam de farinha
e do mesmo saco

tantos que se julgam mantos
mas não passam de tapetes
e de vis capachos

tantos que se julgam altos
mas não passam de agachados
a puxar o saco

tantos que se levam a sério
mas não passam de balela
e mais esculacho

tantos que desejam aplausos...
e merecem mesmo palmas
esses grãs-palhaços

12 agosto 2017

Vidas-Relógio

quantas vidas-relógio você tem?
acordar na hora
dormir na hora
chegar na hora
comer dentro da hora
passear dentro da hora
cagar dentro da hora

terminar
antes que o prazo acabe
ir comprar
antes que o mercado feche
ir no banco
antes que as 3 horas bata
ir pagar
antes que a conta vença
...
ufa! consegui...
morri.

10 agosto 2017

Pós- Humano

as pessoas confundiram viver 
com o que se faz para viver: 
vive-se para um meio 
e nunca se chega a nada 

as pessoas confundiram vida 

com o preço que se paga pela vida: 
apenas se paga o preço 
e não se vive  

o objetivo da vida 

tornou-se o cansaço para o descanso 
para que se atinja de novo 
o mesmo objetivo 
a se cansar 

chama-se de vida 

o preenchimento do vazio 
de não se viver

08 agosto 2017

Do que se Ergue

aquilo que se faz:
sem paz
aquilo que não vem:
desdém
aquilo que não é:
nem fé

aquilo que se vai:
te foste
aquilo que se foi:
é foice
aquilo que não fui:
me fundo

aquilo que será:
já está
aquilo que não sou:
é som
aquilo que se erguer:
é o ser

06 agosto 2017

Vingança

as pessoas em todos os seus passos
passo a passo caminham à vingança
todos esperamos a espada e a lança
que virão em morte de nossos rastos

o caos o fogo a fúria o assassinato
cortarão goelas da falsa esperança
império do horror que nunca se cansa
como gatos que destroçassem ratos

entre o longínquo se levanta um grito
uma tormenta que olho algum alcança
uma catástrofe em noturno rito

numa manhã de chuva morna e mansa
a esperança num coração perdido
vem dizer que sim... haverá Vingança


03 agosto 2017

"Hipócrita leitor, meu igual, meu irmão..." (Baudelaire)

ninguém é o que são:
eu mesmo
só sou meu eu mesmo
quando sou ninguém

o que somos
somos de não-ser

ninguém aqui é são:
somos todos doentes
há mais podres na alma
do que bactérias nos dentes

ninguém é o que seja:
não somos
nem o que se deseja

ah, os que que se julgam sãos...
todo mundo se acha 
um épico
mas mais seria si mesmo
um bêbado

01 agosto 2017

"Elite" acéfala e estúpida


Os absurdos, os desmandos, as injustiças que têm ocorrido no Brasil de agora, desde aqueles do campo político, econômico, trabalhista,  da perda de direitos, até os de comportamento social apresentam como uma de suas principais causas algo relativamente simples.


É que o brasileiro, em geral, sofre de complexo de inferioridade e de uma superficialidade desmedida. O brasileiro aspira sofregamente ser "superior". E, na sua superficialidade, ele entende que para ser superior, tem que ter dinheiro e tem que ser da "elite". Quando ele não tem esse dinheiro e\ou ele não é da "elite", acredita que NÃO será inferior se apoiar em tudo, de forma incondicional, os ricos e as elites. 


Consciente ou inconscientemente, ele cria uma ilusão de superioridade ao pensar como os ricos, mesmo não o sendo. Ele afirma a si mesmo: " não sou pobre, porque penso como os ricos. Sou da elite, porque aparento ser da elite." E para o brasileiro superficial, aparência é tudo. E a nossa elite é uma das mais acéfalas e estúpidas do mundo. É muito fácil parecer com ela.