07 maio 2014

Brahms e a 4ª Sinfonia

Brahms completa hoje 181 anos. Não posso deixar, como sempre faço, de prestar minha homenagem. Johannes Brahms compôs apenas 4 sinfonias. Mas todas elas absolutamente magistrais e estão no ápice da música sinfônica romântica. Brahms foi um exímio sinfonista. Dos maiores. Não é à toa que sua 1ª sinfonia foi considerada como sendo a 10ª de Beethoven. E todos sabem que Beethoven foi o maior de todos os sinfonistas.

Porém, entre as quatro sinfonias de Brahms, a última, a 4ª, Opus 98, é a minha preferida, juntamente com a primeira. É a mais madura, a mais bem acabada e a que melhor expressa a alma de Brahms. É uma das sinfonias mais trágicas e melancólicas já criadas. Estreou em 1885, em Meiningen, sendo acolhida com muito entusiasmo por toda a Europa.

Os acordes iniciais de seu primeiro movimento já carregam o ar de uma densidade emocional escura e apaixonada. É música pesada, tensa, sem, no entanto, perder por um instante sequer o seu obstinado lirismo, a sua poesia introspectiva. O movimento desenvolve-se com absoluta perfeição melódica e estrutural, em um total domínio da forma sonata, para desaguar em uma verdadeira catástrofe sonora, em um clímax furioso, marcial, devastador, que nos deixa a impressão de que o teto vai desabar sobre nossas cabeças.

O segundo movimento, dominado por um sentimento de outono, de inverno, é, ao mesmo tempo, lírico e solene, melodioso e taciturno, terno e misterioso. Passando pela vivacidade ensolarada e enérgica do 3º movimento, atingimos o 4º, onde a dilaceração emocional atinge o extremo, em notas carregadas de força e de tragédia. O breve instante de sol do movimento anterior dá lugar às sentenças sombrias do final da sinfonia, onde se percebe uma forte influência de Bach.

O 4º movimento, desenvolvido a partir de uma passacaglia, afirma de forma indubitável o caráter sombrio e pessimista da obra, ao mesmo tempo que é uma lição de orquestração. Ergue-se imenso, imponente, majestoso, como uma montanha castigada entre a tempestade. Que se mantém firme. É uma obra de ocaso, o sol se põe ao final da sinfonia em um horizonte avermelhado... Brahms dá adeus às sinfonias deixando um legado definitivo às gerações vindouras.

Um comentário:

Patricia Almeida disse...

Brahms é mais que um compositor! É, sem sombra de dúvida, um Ser magnífico que nos eleva! Nos eleva para o infinito com sua música forte, apaixonada, melancólica, resignada...
Parabéns Johannes Brahms, pelos 181 anos da tua Alma Imortal que embala o meu coração e transcende a minha alma para o Infinito!