01 fevereiro 2014

Eu Carneei um Porco

eu carneei um porco
de passo a passo
de pouco a pouco
antes
tive que derrubá-lo no chiqueiro
e estirado de corpo inteiro
se imundiciava na própria
merda
e se afogava na própria
baba
e se atolava no próprio
barro
carneei um porco
como quem cospe um catarro

depois de atado com a própria
corda
(que porcos se matam
com a própria corda)
cravei a faca no exato ponto
do cardíaco músculo corrupto
corrompido de pulsar na imundícia

e ele gemia grunhia berrava
que nem mais se diria
que era o rei do chiqueiro
e caiu ao seu nível de porco
ou parecia mais ser um orc
de sangue negro nojo e podre

eu carneei um porco
que bicho baixo pobre e sujo
quando fedor daquele bucho
e que temor naquele olho gordo
que não se volta nunca ao céu
que nunca mira a luz do sol

eu carneei um porco
que morte vulgar e treda
quantos vermes naquelas tripas
quantas doenças naquelas pregas

enquanto seus órgãos
estavam ainda mornos
extirpei as carnes do porco
e dei de comer aos corvos


Um comentário:

nelma ladeira disse...

Um texto muito interessante adorei.
Bom dia.