02 dezembro 2012

da Arte de não se importar


olho aquele olhar
que nos olha
sem que dirija algum olhar
a nenhum lugar:
vejo-o lá
quando ele que não ele
nem está

não se houve palavra
no seu dessilêncio
breve instante do denso
que se pensa dito:
é o tudo
só mais uma gota na taça
e o imenso
do nada quanto se faça

o que é feito em verdade
é feito não se importando
deixando que se fale ou cale
ou nem mesmo em deixar
um sopro no alto
ou um passo no vale

ele que passa sempre a um passo
enquanto se pensa
no que pode (seu) ser
mas quem julga pensar
há muito
deixou de entender
pois pensar
é ter em mente um algo
e só serei o que sou
quando do mim mesmo
me estiver falto...

aliás
o de Olhar
não se diz
de nenhum jeito
eu mesmo
não falo de coisa alguma
e este poema
(como bem podem ver)
nem sequer
chegou a ser feito

2 comentários:

Alice às avessas disse...

Antagonicamente poético.
Bom domingo!

Cristina disse...

Un placer leerte, abrazos!
Buen comienzo de semana.