20 novembro 2012

Um Bilhão de Litros de Agrotóxicos Despejados na Última Safra Brasileira

Já comentei no blog que o problema dos agrotóxicos é uma questão gravíssima para a qual raras vezes é dispensada a devida atenção. Os governos e a mídia pouco estão interessados no assunto. É que o país precisa produzir mais e mais alimentos. Se saudáveis ou não, pouco importa. Deve-se é abastecer-se as pessoas com farta comida. O "desenvolvimento" não pode parar. Proibir ou limitar o uso de agrotóxicos, para muitos, é um atraso, uma maneira inaceitável de "frear" o desenvolvimento do país, o progresso da nação. E de se deixar de lucrar. Um bom empresário não pode aceitar a redução dos seus lucros. Seria um imbecil, se o fizesse, um retrógrado. Como voltar atrás? E o meio-ambiente, e o planeta? Ah, está tudo bem com ele, como sempre esteve, a destruição ambiental é um mito. No mínimo, um exagero dos alarmistas.

Deixando de lado a ironia, finalmente leio no jornal  Correio do Povo algo sobre o tema, sem ser uma nota de rodapé. Abaixo,  transcrevo trechos do que está no Correio do Povo de 18/11, página 13:

"O Brasil  consumiu 1 bilhão de litros de agrotóxicos somente na última safra. Diluído na água, este volume de material nocivo ao ambiente e à saúde pública chega à conta de 100 bilhões de litros dispensados pela natureza e absorvidos pelas pessoas em alimentos, água, ar e contato com o solo. Entre os vetores da contaminação estão frutas, hortaliças e até o arroz e o feijão que ocupam o prato dos brasileiros todos os dias."

No congresso da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), foram apresentadas algumas pesquisas a respeito da tragédia dos agrotóxicos. Em uma delas, realizada pelo médico Wanderlei Pignati, conforme o jornal, "feita com mães lactantes em um município do Mato Grosso (...) o resultado de exames mostrou a presença de traços de mais de um tipo de agrotóxico no leite materno em 100% das mulheres examinadas".

Mais adiante, na mesma matéria: "Estes químicos são tóxicos e ficam no corpo humano e na natureza. O consumo ocorre em microgramas num tomate, alface, pimentão, derivado de soja ou milho, e diversos outros itens comuns da mesa brasileira. O problema é que o efeito cumulativo pode causar graves doenças. Cânceres, males hepáticos, danos cerebrais estão entre as potenciais manifestações consequentes do consumo de alimentos impregnados de agrotóxicos".

Mas de que adianta alertar sobre? No Brasil, parece ter-se eleito o cigarro como o bode expiatório, único culpado por todos os males da saúde da população. O resto deixa-se como está. Tanto é que a bancada ruralista quer AUMENTAR o uso de agrotóxicos. Está em outro jornal, no Sul 21. Deixo este trecho: 

"Em uma realidade onde os brasileiros consomem por ano uma média de 5,2 litros de agrotóxico e o país é líder mundial em insumos químicos na agricultura, a bancada ruralista tenta agora modificar a legislação do único estado que proíbe a comercialização de agrotóxicos banidos nos países de origem. Desde 1982, a Lei dos Agrotóxicos restringe a venda e distribuição das substâncias que não são liberadas nos países em que são produzidos. Porém, o deputado estadual Ronaldo Santini (PTB), apresentou o Projeto de Lei 78/2012 para retirar esta prerrogativa do estado gaúcho a fim de 'aumentar a competitividade do agronegócio'."  Parece piada. Quem dera fosse. Confiram aqui.

Bem, creio que não preciso dizer mais nada.


7 comentários:

Weimar Donini disse...

Pois é por aí mesmo, Reiffer. Remamos contra a maré.
A nossa sociedade ainda não contrabalançou devidamente os prós e os contras dos agrotóxicos.
Seus efeitos nocivos se fazem sentir principalmente na grande incidência de doenças que nos acometem hoje em dia, apesar de todos os progressos científicos da área.
Fala-se muito em viver-se até os 120 anos. Notaram como isto não tem ocorrido como previsto? Notaram como estamos vivendo menos que nossos pais?
Claro, não digo que seja unicamente em função dos venenos alimentares. A meu ver a grande causa é o estresse do dia-a-dia.
Mas que o peixe morre pela boca, ah, ele morre!

Janice Adja disse...

Este número deve dobrar, pois a maioria compra sem nota, os dedetizadores usam agrotóxicos e isto é ruim. Deveria haver uma fiscalização maior na fabricação do produto.
Beijos!!!

Lu Guedes disse...

É meu caro, nós sempre precisamos de distrações. O cigarro é a distração do momento. E contra isso não há argumento. Eu não fumo e confesso que prefiro comprar certas coisas da horta do tio Nelson. Um senhor que produz alguns produtos em seu quintal. Acredite. E vende numa barraquinha de madeira na parte da frente de sua casa.
Depois ninguém sabe afirmar porque tantas pessoas descobrem o cancer nos dias de hoje. rs

bacio

INTEGRAL DE MIM E DE MEU TEMPO ! disse...

Amigo.... mesmo que sejamos impotentes para "berrar" nosso clamor, não podemos ter o receio nem a falta de vergonha de não gritarmos!
Parabéns pelo post excelente!

Milene Lima disse...

Sempre o maldito progresso servindo de justificativa para se fazer vista grossa aos problemas de verdade. Até quando? Até sempre, eu acho.

Abraços, Reiffer.

Carla Ceres disse...

Esse tema é muito sério. Estive em várias fazendas produtoras de frutas, onde mal se podia respirar devido ao fortíssimo cheiro de agrotóxico. Acontece que o número de seres humanos não para de crescer e isso alimenta a ganância dos produtores rurais. Creio que devemos agir em duas frentes: exigir alimentos saudáveis e diminuir a natalidade. Abraço!

Aline disse...

Esse assunto merece mesmo muita atenção... Está relacionado diretamente com nossa qualidade de vida...