17 setembro 2012

Poemerda à Civilização


dente
cariado
dentre
caído
quedado
por dentro

destecla
de piano
de
cadência
de marcha
de fúnebre

de década
em década
de cágono
desmontado
a com passo
de cágado

peito
desfeido
de peido

engasgo
gago
caco
caralho

falo falhado
de falácia
de falência

a humanaidade...
farelo
e decadência.

7 comentários:

Nadine Granad disse...

Nossa!... Pesado... e Muito bom!...

Muitas vezes as palavras precisam ser defecadas...

Beijos =)

Natália Campos disse...

Uau! Gostei muito da sonoridade que deu às palavras. A semelhança de fonemas...muito bem feito, querido!

Perdoe-me a falta. É a correria do dia a dia. Mas o importante é que deu pra eu passear por aqui outra vez.

Beijos :)

Marisete Zanon disse...

Uau! Crítico e forte poema! Muito bom!
Um abraço

Milene Lima disse...

Uma coisa meio Arnaldo Antunes? Não! Uma coisa totalmente Al Reiffer, né? Palavras cuspidas na cara doente da civilização.

O moço gosta das palavras fortes.
Isso é massa.

Beijo!

Albuq disse...

Teus versos soam inquietudes e crítica. Quanto admiro!

Ma'at disse...

"A humanaidade
Farelo
E Decadência..."

Nada mais a adicionar.
Clássico como sempre, Reiffer!

Victor Said disse...

Ei de lhe dizer: ainda tenho esperança pela humanidade. Aprendi desde cedo a dar valor aquilo que é desprezado e esquecido. No cago é que se encontra a fertilidade da terra, sem o cago nada seria produzido. E a civilização não teria cultivado os campos e nem semeado poemas nas gerações seguintes. É do lodo que surge a vida. Só não consigo imaginar para onde vamos, o amanhã muda sempre, só sei que vamos em passos pequenos de cágados-filhotes nesse brejo-mundo, que aos meus olhos é jardim.

Você, nobre Poeta, é Poeta dos bãos, pois toca no olhar da gente com as letras e elas rapidamente nos tocam a alma. Poemerda à Civilização é daqueles poema que germinam e trazem com ele, sementes de poesia.

Parabéns!