12 julho 2012

Não Sirvo

vós me perguntastes
em algum (de nenhum) tom
entre o fútil e o vago
(como se perguntar
respondesse a algo)
o para quê?
serviria um poeta

respondi
(como se nem estivesse aqui)
que poeta
(se poeta)
não serve pra nada
e não serve a ninguém

poeta
(seja nada ou seja triste)
é o que ainda resiste
em ser-se

a função do poeta
é ser o ser em si
num mundo
onde todos são como todos
e ninguém é ninguém

sou-me
(ainda que um além)...

mas jamais
ser-vos

8 comentários:

Anderson Lopes disse...

Ser sem ser é a sina do poeta.

Weimar Donini disse...

Admirei o trecho:
"num mundo onde todos são como todos
e ninguém é ninguém".

Gláucia Minetto Martins disse...

O poeta sente todas as coisas dentro dele e escreve... Mas permanece nessa quietude eterna.
Como um silêncio composto por palavras.

Adorei o poema!
Beijos.

Sónia M. disse...

Fantástico Al!
Gostei muito!!

Um ótimo fim de semana

Beijo
Sónia

Nadine Granad disse...

Não saberia conjugar tão bem!...
O existencialismo ganhou uma roupa intensa nas suas linhas...

Gostei muito!

Beijos =( (hoje estou triste e não finjo - rs... isso foi engraçado)

Albuq disse...

O poeta é um ser formado de versos e de sentir!
Gostei demais!

Mary disse...

Não consigo ver o mundo sem a sensibilidade dos poetas...Amo poesias.

Bjo e ótimo fim de semana

David Furtado disse...

Gostei bastante, Al, os meus parabéns. É interessante como escreve num português que não é tipicamente o que se usa no Brasil, fazendo uma espécie de ponte entre os dois países e universalizando a linguagem. (Ou seja, o poema podia ser de um poeta de Portugal.) O final também está particularmente bem conseguido. Abraço.