26 maio 2012

ao Compasso das Gargalhadas *

ao compasso das gargalhadas
dos abutres sobre o sangue...

vinho desgarrado das garrafas
cataratas rubras dos gargalos
e o catarro das risadas
dos abutres sobre a terra
garra a garra pela carne
em brasas de vida e graça
e a branca alada da garça
assanguinada em fraca faca
ao compasso das metralhas
em deboches alastrados
e os abertos bicos-corvos
na cantata das gargalhas
nas vagas claras do teu riso
cruéis dentes em vãs asas
como o branco das cascatas
e o sarcástico dos asnos
e o rastejo das serpentes
e o gaguejo dos macacos
gorgolejo de galinhas
e o grotesco destes sapos
e o motejo destas cabras
e o manquejo destes diabos
soando graves como larvas
despencadas dos cadáveres
ou como bruxas engasgadas
de ironias devoradas
e zombarias pelas águas
entre as línguas engraçadas
de lagartos arrastados
em macabras danças largas
mefistófeles e gárgulas
entre valsas e risadas

dos abutres sobre o sangue
ao compasso das gargalhadas...

*Revisão do poema publicado em 30/11/2010.

2 comentários:

Luiz Alfredo disse...

Poema com enredo e ritmo
devastador
a riqueza das palavras
torna o poema
muito belo
mas parece que tomamos
uma dose de absinto
no cranio Byron
apesar que o poema
não é romântico
mas titânico.

Luiz Alfredo - poeta

Nélsinês disse...

Pôxa! Que poema!Concordando com o Luiz Alfredo, esse poema é simplesmente um vulcão em ebuliçaõ. Parabéns! Já virei fã.