04 março 2012

Aquilo que nem quero dizer

quando digo que digo
nem há alguma coisa dita
não me procure razões
naquilo que nem quero dizer
que uma palavra real
não vale a pena o ser da escrita
não me procure lições
naquilo que nem quis estar
ainda que se diga coisa alguma
tudo do que é humano
permanecerá sendo o que é
pela miséria da bruma

deixa este verso não ser nada
uma realidade fora além inexistente
distante  de tudo o que é
(e o que é que é?)
nem dito para
nem feito por
gente
por que haver aqui qualquer verdade
qualquer filosofia
ou alguma fé
no existente?

não procure aqui uma mensagem
não queira saber se estou certo
há tanto outro tanto
eu mesmo sou outra imagem
do que nunca se irá sonhar
então que isso não passe
de uma canção sem letra
ou de um suspiro que descansa
ou que  se cansa
pelo lago alado do ar
pelo lado amargo da dança...

deixa este verso bem longe
de tudo que se aproxima da vida
que minha mensagem
não passe de passagem
para  ao lá do que me esconde
e deixe aqui minha alma
abismada
mas erguida

3 comentários:

Davi Machado disse...

Versos "negativos".
poema cheio de não-lições, relativamente agradável.

Ira Buscacio disse...

Na contra-mão da voz.
Gostei!
Bj

Ligéia disse...

Abismada estou eu com a tua inspiração. Parabéns, Reiffer!