11 novembro 2011

Sinfonia do Horror

o estertorar dos estômagos famintos
aquele gemido baixo da fome
a lágrima que escorre muda
entre o choro abafado dos desesperados
os litros de sangue derramados
entre os tiroteios dos campos de batalha
os corpos despedaçados pelas granadas
uma bala estourando uma cabeça
as vísceras espalhadas por entre o pó da terra
um dois três quatro cinco seis
sete oito nove dez
soldados fuzilados de uma só vez
os urros dos tigres sendo massacrados
a queda dos  milhões de bisões
exterminados nos Estados Unidos
o roçar das folhas de toda uma floresta ao chão
o arder das queimadas por entre as árvores
os gritos dos que morrem queimados
as bombas atômicas sobre o solo japonês
as mentiras proferidas nos plenários
nas tribunas nos púlpitos nos congressos
o amargo protesto inútil dos injustiçados
o revólver disparado a queima-roupa
a mulher espancada no rosto e nos seios
a pele sendo retirada de gatos e cachorros vivos
a água negra e podre pelo leito do rio Tietê
os olhos dos coelhos sendo perfurados
para o necessário progresso da ciência
os pesticidas vaporizados pelos campos
o canto de uma ave com câncer na garganta
o desabar de prédios explodidos
um ataque aéreo sobre as selvas do Vietnã
uma criança sendo estuprada
os suspiros de quem está só
e até o silêncio desolado
das regiões que viraram deserto...

todas essas coisas
produzem o seu próprio som
e não cessam
de atormentar a minha audição
quando me recordo
que definitivamente nunca
a humanidade aprenderá a lição...

5 comentários:

Alberto R. T. disse...

Bah, Reiffer, deveras muito foda!

Um abraço,

Alberto Gubaydulino.

Nayara Borato disse...

Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Nayara e cheguei até vc através do Blog Alma de poesia. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir um blog do meu amigo Fabrício, que eu acho super interessante, a Narroterapia. Sabe como é, né? Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado. Além disso, sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. A Narroterapia está se aprimorando, e com os comentários sinceros podemos nos nortear melhor. Divulgar não é tb nenhuma heresia, haja vista que no meio literário isso faz diferença na distribuição de um livro. Muitos autores divulgam seu trabalho até na televisão. Escrever é possível, divulgar é preciso! (rs) Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs





Narroterapia:

Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.



Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.

Marisete Zanon disse...

Tu escreveu no Face o nome das pessoas que poderiam gostar. Bah! Eu achei horrível, visualizei as cenas, vi todo o massacre, as selvas agonizando, os soldados estraçalhados. E a humanidade ainda não aprendeu! Isso é uma lástima...Mas tu és um escritor e como colocastes em poema, foi belo. Te assustei? rss
um beijo querido

NVBallesteros disse...

Me dejas mareada con tanta verdad...


Besos

Mina disse...

Sin duda tus letras tan acertadas, un placer conocer tu espacio.

Besos