26 outubro 2011

Um Absurdo

cavar todos os dias
com uma pá
sem descanso
cavar a cada instante
como se fosse adiante
cavar com o pé
o que não é
até  achar diamante
a toda hora
como se fosse embora
cavar pelo pó
com um resto de bota
sem ter espora

cavar cova tão imensa
que seja cratera
e chegue ao outro lado
e à outra era
e arrancar petróleo e ouro
quanto mais cansado
com fôlego de touro
e rubis e esmeraldas
e trazer à luz
envolvidos em grinaldas

e enfim jogar tudo aos porcos
pelos chiqueiros tortos
e partir
sem ter o nome na lista

e como um vulto
que pelo longe some
sublimemente
morrer de fome

(eis a missão do artista)

4 comentários:

Rosa Mattos disse...

Boa construção poética.

Uma arte árdua. Verdadeira tarefa de Sísifo.

lucass repetto disse...

Eis a missão do artista! Parabéns.

(Des)Fragmentar-se pela tenra eternidade. Sim, tenra eternidade foi o propósito.

MIRZE disse...

SUBLIME!

Reiffer, um poema com a força e a verdade de um vulcão em erupção.
EXCELENTE MESMO!

Ah sabe o Urutau, ficou famoso. Ontem estava na web como o bichinho mais fofo e favorito das Madames.

Mais um que em breve entra em extinção.

Beijos,poeta!

Mirze

Karine Nogueira disse...

muito bonito...

passei a seguir.