24 outubro 2011

200 anos de Franz Liszt

Anteontem, 22 de outubro, um dos mais importantes compositores da história, o húngaro Franz Liszt (1811-1886) completou 200 anos de existência. Sim, porque os grandes artistas continuam existindo mesmo depois de mortos.

Não sou propriamente um fã de Liszt, seu estilo exagerado, grandiloquente e virtuosístico (no caso das obras pianísticas) não condiz muito comigo. Sou, como todos sabem, adepto da música mais contida (mas não menos poderosa) , mais densa, mais severa de Brahms. Brahms e Liszt eram grandes rivais em suas ideias musicais. Mas isso não me impede de apreciar várias das obras do compositor húngaro.

Gosto muito dos seus poemas sinfônicos, dos quais Liszt foi o desenvolvedor e estabelecedor do gênero.Um poema sinfônico, como sugere o próprio nome, é uma obra instrumental para orquestra cujo tema ou programa é literário, baseado em alguma obra, que pode ser um poema lírico, trechos de poemas épicos, um drama... Liszt foi um grande mestre do poema sinfônico e da música programática. Desempenhou papel decisivo na evolução da música do século XIX.

A música programática, ou de programa (não, não tem nada a ver com música para cabarés) é a música escrita para expressar um programa pré-estabelecido, geralmente de caráter literário, como no caso dos poemas sinfônicos. As óperas e dramas de Wagner, a Sonata "Dante" e as Sinfonias "Dante" e "Fausto" de Liszt, os poemas sinfônicos "Romeu e Julieta", "Francesca de Rimini" de Tchaikovsky, a Sinfonia Fantástica de Berlioz são exemplos típicos de música programática. A música programática de Liszt e Wagner rivalizaram na época com a música absoluta de Brahms, aquela onde não há programa algum que a defina, uma música mais "livre" e pessoal. 

Um grande número das peças para piano de Liszt são pequenos poemas musicados. Ou poemas em forma de música. Até mesmo seus belíssimos "Estudos Transcendentais" tem um caráter extramusical. Mas aprecio mais aquelas obras de Liszt que se aproximam da música absoluta, como os concertos para piano e a sublime Sonata em si menor. Na minha opinião, nessas obras, e nos poemas sinfônicos, está o melhor de Liszt, é onde ele melhor concretiza sua grande originalidade de ritmos e estruturas, sua grandiosidade por ora luminosa, por ora bizarra e ameaçadora, a sua sugestiva criação melódica. 

Ainda não posso deixar de mencionar que Liszt era um pianista fenomenal, dizem que foi o maior de todos os tempos, que hipnotizava, enfeitiçava as plateias com as suas insanas performances ao piano, principalmente as mulheres. Aliás, Liszt estava sempre cercado de mulheres, parece que fazia muito sucesso com elas.

Bem, quem estiver interessado em conhecer obras de Liszt, pode encontrar aqui.


4 comentários:

Vampira Dea disse...

Mas a graça da coisa toda é optar por opostos rsrs. Realmente, este fica ainda muito tempo na história e nos nossos ouvidos.

Marisete Zanon disse...

E viva os imortais!!!
um beijo querido, cada dia admiro mais a tua pessoa e a maneira como escreve.

MIRZE disse...

FRANZ LISZT conheci sua história. Não sua música. Vou procurar no YPU Tube.

Beijos, poeta!

Mirze

NVBallesteros disse...

y pensar que cuando pasen 200 años nadie se acordara de mi...

Besos