11 setembro 2011

O Triunfo da Morte

em breve não haverá o longe
ao longe no horizonte
em breve o sempre será ontem
e o silêncio esgotado
de uma fonte...

em breve não haverá o leve
só o calo de um canto de um pássaro
calado num eterno vago de neve
passará o pássaro
e o desmanche de um sorriso lasso
desmoronando por entre os olhos
de cuja luz
não restará um traço

e daquela alva árvore que me olha
despencando pela vitória do abismo
cairá folha por folha
ao abalo do trago de um sismo

em breve haverá um nada
se desfazendo em furacão...

e tudo se igualará
ao meu coração.

(Na imagem, detalhe do quadro "O Triunfo da Morte" de Brueghel)


5 comentários:

MIRZE disse...

LINDO, REIFFER!

A morte é sempre um triunfo. Inesperada, vem quando faz´se a hora.
Alivia-nos de dores, desesperos e pesadelos!

EXCELENTE!

Beijos, poeta!

Mirze

Davi Machado disse...

"calado num eterno vago de neve
passará o pássaro"

Lindo poema intenso e sofrido e sentido!

Slompo - Pedro Henrique disse...

Olá Reiffer, bem interessante o seu Blog, gostei.

Estou te seguindo também.

http://apiaiportaldamataatlantica.blogspot.com/
Abraços, até mais.

catacrese disse...

"em breve haverá um nada
se desfazendo em furacão...

e tudo se igualará
ao meu coração."

Sofri enquanto lia esse poema por me reconhecer nele.
Ser e se desfazer; o ciclo tão inevitável de todas as coisas.

Denise Portes disse...

Reiffer querido,
Sempre me encanto com suas palavras.
Um beijo
Denise