25 março 2011

Não-Soneto nº2

deixar cada verso como se fosse
versar cada fosse com uma foice
e após plantar aquilo que não tenho
colher do nada o nada que não sou

o que queres será feito não sendo
morto do que fracasso vencerás
terás aquilo que talvez não queiras
não conseguindo cumprirei ao erro

sabes como obrigar deixando livre
do horror retiras as sublimes causas
de vão sacrifício se revela o alto

do que não veio surgirá teu sim
a luz que nasce em tudo que se perde:
sabendo nada o que devo conheço

7 comentários:

Alberto Ritter Tusi disse...

Massa, eu já curtia pra caralho o nº 1, O das loucas águas que enloucaram um vale.

Abrazos

Raíz disse...

REIFFER!

Belo demais. As rimas e a simetria são de SIM-SONETO.

"...e após plantar aquilo que não tenho/ colher do nada o nada que não sou/"

Tão contingente como os sonetos de Pessoa.

EXCELENTE!

Beijos

Mirze

Livinha disse...

Maravilhosos verso,
Trocadilhos de palavras, sentidos que só você bem conheces, por implícita que são tuas falas...

Riquíssimo e talentoso são teus versos...

Parabéns!

Livinha

Srtª Bêêh disse...

O que dizer?
Só tenho a ler-te.

CARLA STOPA disse...

Mais entrelinhas que linhas.Gosto disso.

Davi disse...

Um soneto bem feito, daqueles tão feitos que nos obrigam pensar!
Muito bom!

Marcio Nicolau disse...

subscrevo a leitora que disse "mais entrelinhas que linhas"