27 fevereiro 2011

"O amor da humanidade é uma mentira." Augusto dos Anjos

Acusam, muitas vezes, o nosso bom e velho Augusto dos Anjos  de ser doentiamente pessimista. Talvez, realmente seja. No entanto, sempre soará terrível aos nossos ouvidos a verdade impiedosa de muitos de seus versos inigualáveis.  Lembra-te, leitor, destes versos, quando falares de amor...

Idealismo


Falas de amor, e eu ouço tudo e calo!
O amor da Humanidade é uma mentira.
É. E é por isto que na minha lira
De amores fúteis poucas vezes falo.

O amor! Quando virei por fim a amá-lo?!
Quando, se o amor que a Humanidade inspira
É o amor do sibarita e da hetaira,
De Messalina e de Sardanapalo?!

Pois é mister que, para o amor sagrado,
O mundo fique imaterializado
— Alavanca desviada do seu fulcro —

E haja só amizade verdadeira
Duma caveira para outra caveira,
Do meu sepulcro para o teu sepulcro?!

Augusto dos Anjos
(1884-1914)

10 comentários:

Gisa disse...

Grande poeta e lindos versos com muito teor de verdade.
Um bj querido amigo

Juliana Dias disse...

Perfeito. Bela homenagem a esse poeta incrível!

angela disse...

Nem sempre...maso poema é lindo
beijos

Suzana Martins disse...

há um cpntentamento em mim ao ler Augusto dos Anjos numa segunda-feira.

beijos

Cáh disse...

é por isso que qdo se ama todas as coisas, soa aos olhos dos outros como hipocresia.

é uma pena, pois existem 'casos à parte'


Obrigada pela visita, pelo comentário... enfim.


Um beijo!!!

Sana Tessmann. disse...

querido..obrigada pela atenção em meu blog, te sigo por aqui, um canto muito agradável de se visitar.

Davi disse...

Ah o amor! hoje, como qualquer outro sentimento, comercializado e banalizado - humano.

Este soneto de Augusto é um dos poucos que falam de amor, como sabes, e diz mais que milhões de livros atuais! Grande escolha de postagem!

Abraços

CARLA STOPA disse...

A intensidade sempre provoca...Um abraço.

Julia Trombini disse...

Muito bonito Reiffer !
Abraço.

aaraujosilva disse...

Desde minhas andanças ginasianas,
faz muitas décadas, que leio e me deleito com AdosA, um gênio na arte
poética. Esse poeminha nunca me saiu da cuca; hoje, setentão em setembro, vivo e convivo a 'crueza'
do: "Falas de amor, e eu ouço tudo
e calo! O amor da humanidae é uma mentira."...
AA, desde os confins da Jatiúca
em Maceió das Alagoas.