03 setembro 2010

Gota a Gota ( um horrível poema pós-moderno)

gota a gota
derramarei um poema pós-moderno
legítimo:
começo
espremendo o líquido verde
das minhas esperanças
gota a gota
sobre o sangue de um graxaim
que gota a gota
escorreu pelo asfalto fervente
até ser absorvido pela terra seca
que gota a gota
espargiu seu pó
sobre os meus olhos pingando lágrimas
gota a gota
não de tristeza ou de sensibilidade
porque isso há muito morrera
mas porque sobre mim caía
uma chuva ácida
gota a gota
e caía também sobre o cedro morto
de que há muito
extirparam sua seiva
gota a gota
e as cinzas de suas antigas folhas
agora fumaça pelo ar
caiam como fuligem sobre meus olhos
gota a gota
mas ainda pude olhar para os meus pés
atolados num rio
que transbordava fezes
gota a gota
e ao lado havia um cadáver
de um homem com as mãos abertas
caindo moedas
gota a gota...

11 comentários:

Angélica Lins disse...

Pingos de sentir, dissolvendo qualquer razão.

Belo!

Valéria Sorohan disse...

Para nao perder o costume :þ
Um super mega ultra power beijo!
Isso sim que acabei de escrever, é horrível.

DarkViolet disse...

A metafora da gota é sempre maravilhosa para dançar

Michelle Buss disse...

Gostei das metáforas. Um poema carregado de imagens intensas.

Katia Cristina disse...

Linda linguagem poética!

Richard Mathenhauer disse...

Horrível?

Gota a gota, li e absorvi.

Abraços.

Aмbзr Ѽ disse...

diferente, ousado, incomum..

http://terza-rima.blogspot.com/

Lara Amaral disse...

Seu olhar poético é um gotejar sempre inspirado.

Beijo.

Mirze Souza disse...

Poderia ser um poema pátrio-político!

Mas é um belo poema, como é usual!

Belíssimo esse "gota a gota", que suportamos na vida!

Beijos

Mirze

Fernández ♠♠ disse...

Sempre achei teus poemas bem ligados ao modernismo e esse é a prova.
Muito bom!

http://terza-rima.blogspot.com/

Cris de Souza disse...

Gota a gota, embriaguei-me nessa tempestade.