03 agosto 2010

Final, de Eduardo Guimaraens


Eduardo Guimaraens. Alguém sabe quem foi ele? Que foi um poeta gaúcho nascido em Porto Alegre em 1892? Que escreveu sete livros e que foi considerado na época nosso maior poeta simbolista? E mais, que chegou a ser considerado uns dos maiores do país, comparado a Cruz e Sousa? Triste saber que um poeta de sua magnitude esteja relegado ao esquecimento até mesmo pelos gaúchos. Mas, quais seriam os motivos? A meu ver, faz parte da discriminação sofrida pelo Simbolismo em nossas terras; a verdade é que ainda hoje os brasileiros não lograram compreender os simbolistas, algo muito diferente do que ocorre na Europa, por exemplo.

Sem dúvida, Eduardo Guimaraens também foi vítima desse “preconceito” para com o Simbolismo. Felizmente, grandes críticos, como Massaud Moisés, souberam considerá-lo como “autêntico poeta”, e que “alguns de seus poemas serão suficientes para situá-lo sem favor ao lado de Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens”. Da mesma forma, julgou Andrade Muricy que “a sua arte afastou-se do cunho clássico português e da ingenuidade da temática e da expressão... foi dos mais civilizados dentre todos eles e um dos mais meditativos e delicados”.

Não obstante, a poesia de Eduardo Guimaraens nos apresenta um âmbito temático de inúmeros desdobramentos. Sua obra nos revela uma profunda sensibilidade e imaginação, uma sutileza e musicalidade da linguagem, um refinamento de emoções repleto de luzes e sombras. Seus poemas são intensamente humanos e espirituais, situando-se entre a veia lúgubre de Alphonsus de Guimaraens e a ascensão vertiginosa de Cruz e Sousa. Eduardo é mais sereno que ambos, menos sombrio que o primeiro, mais terno que o segundo. Abaixo, um de seus sonetos, presente em seu livro "A Divina Quimera". Na imagem que acompanha a postagem, "Noite Estrelada Sobre o Rhone", de Van Gogh.

Final

Como alguém que colhesse um doloroso lírio
florido à sombra azul de algum jardim claustral,
do meu sonho de amor, a um súbito delírio,
dei-te a aspirar, ó Noite, a grande flor nupcial.

Mal magnífico, insânia extática, martírio,
tudo o que a alma sofreu de sobrenatural,
tu, só tu, Noite insone, à luz de um velho círio,
hás de entender, talvez por um mistério ideal!

Noite, que és a Beatriz que inspira e que conduz,
a ti suba o perfume, alucinante e forte,
da flor que, às minhas mãos, esplêndida, reluz!

É tua a febre ardente em que me torturei!
Tu me cinges de sombra e a sombra é quase a morte!
Noite divina e triste, a ti tudo o que amei!

Eduardo Guimaraens

6 comentários:

Cris de Souza disse...

Esse poema é um primor...

Salve, salve!

Aмbзr Ѽ disse...

nossa, e um talento desse realmente desconhecido...

http://terza-rima.blogspot.com/

Mirze Souza disse...

A.Reiffer!

Ouvir falar, sim...claro. Autor de "A Divina Quimera", no entanto algo ficou no apenas "ouvir falar".

Não houve uma sequência. Uma pena. O poema que você ilustrou, belíssimo, estilo soneto dodecassílabo.

Raro conhecer uma capacidade assim, nos dias de hoje.

É sempre muito bom conhecer!

Um abraço!

Mirze

Lua Nova disse...

Bem, depois dessa aula vou pesquisar, pois todo poeta tem o que dizer por tanto sentir.
Te encontrei no blog de conhecidos e, lendo seus comentários, fiquei curiosa. Que bom que vim.
Te sigo desde já e te convido a conhecer meu blog e tomar um chocolate comigo, já que está frio por aqui.
Beijos. Te espero.

Sandra Botelho disse...

Maravilhso poema...
É o que se pode esperar de ti...Somente coisas lindas.
Bjos achocolatados

Agnes Mirra disse...

Eu não conhecia, mas agora eu quero saber mais! Seu Blog nos guia em outra dimensões, isso é muito bom!