21 maio 2010

Dois Poemas de Paulo Leminski

Paulo Leminski é para mim um dos mais geniais poetas do Pós-modernismo brasileiro, se não for o mais genial. Sua poesia de grande originalidade é ao mesmo tempo simples e complexa, leve e profunda, moderna e clássica. Abaixo, deixo dois magníficos poemas do poeta curitibano. Na imagem que acompanha os poemas, "Auto-Retrato", de Van Gogh.


Segundo consta

O mundo acabando,
podem ficar tranquilos.
Acaba voltando
tudo aquilo.

Reconstruam tudo
segundo a planta dos meus versos.
Vento, eu disse como.
Nuvem, eu disse quando.
Sol, casa, rua,
reinos, ruínas, anos,
disse como éramos.

Amor, eu disse como.
E como era mesmo?


Um homem com uma dor

um homem com uma dor
é muito mais elegante
caminha assim de lado
como se chegando atrasado
andasse mais adiante

carrega o peso da dor
como se portasse medalhas
uma coroa um milhão de dólares
ou coisas que os valha
ópios édens analgésicos

não me toquem nessa dor
ela é tudo que me sobra
sofrer, vai ser minha última obra

5 comentários:

Mai disse...

O homem quando sente dor...
Bárbaro! Como também o amor que não mais se reconhece.
Perfeitos!

Belíssima escolha.
abraços

Anônimo disse...

sometimes with great pain
comes humility.

Fernández disse...

Nossa, esse poeta é mesmo muito bom... conheci a pouco tempo mas ja sou fã!

Agnes Mirra disse...

Emociona pela intensidade...Perfeito pra se embriagar de sentimentos!

Alberto Ritter Tusi disse...

Barbaridade. Que baita poeta!