08 abril 2010

Símbolo

sinto desejos de me ir
mas não me sigo:
tudo pesa sobre mim

tenho desejos de me rir
mas não consigo:
tudo é grave ao meu clarim

meu coração que nada em vales
é o tudo do todo que trago
um trago de vinho vago e amargo

meu coração que nada vale...

meu coração cravei nesta espada
esta espada cravei na montanha
a montanha cravei pelo nada
como símbolo oniricamente acabado
de tudo aquilo que acaba...

vêm-me desejos de dormir
mas só comigo:
tudo nada no (en)Fim

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13 comentários:

Gilson disse...

Muito bom mesmo. Esse seu jeito de escrever entre o querer e o não poder me fascina.

sirmesquita@gmail.com

Abs

Mai disse...

Há um niilismo horas velado horas explícito mas infinitamente belo o teu poema. Uma dor rasgada e um vazio sem fim.
O terceiro e o quarto versos - demais!

Ana Lucia Franco disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Lucia Franco disse...

Inquietude belamente expressada..."meu coração que nada em vale" "meu coração que nada vale", belas imagens poéticas!

Karin disse...

Eu gosto muito de teus poemas.

Meu e-mail para o zine:

karinkreismann@yahoo.com.br

Obrigada!

Chuva de bruxaria disse...

Eu quero viajar nos mistérios que seu coração transforma em versos.
Beijos
Denise

deniseportes.portes@gmail.com

Vampira Dea disse...

A vida é um eterno querer quase ter quase ser, quase ir, as vezes tendo as vezes sendo, as vezes indo.

Descobrindo Um Novo Ser Lunático disse...

Eis as questões que sempre assombram a existência...

Como muitos dizem, querer é poder porém, essa frase é cheias de controvérsias, já que nosso querer atinge várias pessoas que podem ou não ser agradáveis a tais.

"A montanha cravei pelo nada
Como símbolo oniricamente acabado
De tudo aquilo que acaba"- Versos fantásticos...

Lindo !

Leticia Duns

Léo Santos disse...

Tchê, mas,tu anda solito hein! Menos mal que em teu caminho deixas um rastro de belas letras!

Um abraço!

Descobrindo Um Novo Ser Lunático disse...

Voltei para deixar meu e mail:

leticia.ads@hotmail.com

Abraço.

Leticia Duns

Laurinha disse...

Minha ausência do país, não me fez esquecer a beleza poética de teus versos. Profundo. Gosto de tua categoria...

beijos,

Walmir disse...

é um poema inspirado, mano.
muito bom.

Zilka Jacques disse...

Adorei seu poema e a sensibilidade de sua forma poética!!! Abraço, Zilka