06 março 2010

Nem Tu És o que És

verás que o ser de tudo que é
não é aquilo que demonstra ser,
o ser das coisas
não é o que elas são...

vê mais fundo
no alto fundo que não se olha
e verás que por trás do todo
há um outro outro além de tudo...

o que se mostra
não é o que está ali,
ninguém vê o que olha:
o que está ali
não pode ser tido como estado...

o que sabes não é o que conheces,
o tudo que pensas saber
é aquilo que há em ti
mas não em teu ser,
o que há em teu ser
talvez agora esteja longe
e esse longe talvez seja o real...

há sempre outro verso
em tudo que é reverso:
verás que quanto mais com a luz
universares pelo escuro
mais começo e fim
verás em faces a existirem...

nem tu és o que és:
teu eu não é teu ser,
talvez teu eu agora seja noutro abismo,
como um sismo,
talvez teu ser então te chame mais acima,
noutra rima...

4 comentários:

M. D. Amado disse...

Tem emoticon de reverência aqui?

Leca disse...

Para se chegar ao ser das coisas...
é preciso muita suspensão...
Adorei suas palavras...
beijo
Leca

Pálida Lua disse...

Dizer que o que escreves é bom, é muito pouco de minha parte, eu realmente adorei.

Laurinha disse...

A poesia ou poema, ao contrário, de um conto ou crônica, deixa sempre algo por dizer ou diz tudo em miúdas palavras.
Há sempre um mistério.
Confunde o leitor e fomenta uma emoção calada, mas gritante.
Amo tudo isto!
Parabéns, amigo
Meu carinho,