28 novembro 2009

Não Gosto de Praia*

não gosto de praia
da praia infestada
de vazio humano
tal praia
é a profanação do mar

o que busco
é o oculto da sanga
entre o escuro do mato
como é escuro e oculto
o destino do meu olhar

com o que restou
do sopro livre de minha alma
quero o que restou
do vento livre destes campos:
o meu peito que nada espera
busca os capões brabos
peraus de cobras
onde há mosquitos
da febre amarela
há muito as febres me consomem
que eu só sou vacinado
contra o homem
e meu coração é uma tapera
quero me sumir pelos banhados
com os mistérios
que em mim somem
liberto de tudo que vi
quero me perder
por entre sapos
louco e bem longe de ti

até que se forme
a ventania em mim...
cumprir-se-á então
o que já está cumprido
do começo ao fim

*poema republicado com 2 versos a mais

4 comentários:

Bezerra Guimarães disse...

não gosto de praia
da praia infestada
de vazio humano
tal praia
é a profanação do mar


____________________________

Gosto muito do princío...
A humanidade nos parece vazia...
Sentimo-nos menos vazios, muitas vezes, longe da humanindade.


Até,
Ry.

Bezerra Guimarães disse...

perdão...

Princípio

Andréa disse...

Adorei o poema...
penso de forma muito semelhante a essa

Ianê Mello disse...

É verdade...
Onde há multidões muitas vezes o que sentimos é um imenso vazio.
A total indiferença entre as pessoas; a falta de calor humano.

Também não suporte lugares "infestados" de pessoas " não humanas "... ocas por dentro.

Estarmos sós com o silêncio é necessário para que nossa alma se manifeste livremente.

Parabéns!

Te seguindo...


Bjs