30 agosto 2009

Fúria

cada sonho que se procria
é vergado por furacões
cada olho pelo horizonte
é um raio que me condena

o tempo passa e pulsa
a boca beija e brame
a morte mata e move

cada vida demais amada
é morte ao extremo temida
cada sino que bate aos olhos
é minuto chorando à porta

a terra treme e troa
a fera fere e finda
martelam Morte e Marte

cada bafo em crise do ocaso
é gelo que me explode as veias
cada ânsia enforcada à noite
é sopro que me queima as asas

grito-gangrena e guerra
sonho-sangue sangrado
trompa-trombeta ao tempo

5 comentários:

Davi Machado disse...

Teu jogo de palavras... acho que muitos já falaram sobre isso, interessante o ponto filosófico do poema, lembra Fagundes Varela, ou um Rimbaud um pouco mais moderno, isso em minha humilde opinião.

esta fúria, talvez, seja alusiva à vida, ao fardo que é carregado pela massa? apenas especulações rsrss

todo poema foi bem trabalhado; é um mérito de esforço com uma mescla de talento!

Anônimo disse...

Há algo neste impressionante poema, uma sensação intensa que ele transmite, que é muito difícil de ser expressa, mas que eu poderia dizer que se assemelha a uma marcha fúnebre, não só pelo ritmo, mas pelo conteúdo, até mais pelo conteúdo.

André Vieira

Aмbзr Girℓ ⅞ disse...

poema agudo com cólera e realismo. o conjunto perfeito, e a narração de caos.

Blog Suicide Virgin

Marcus Vinícius Manzoni disse...

Sensação de túmulo!

Giovani Pasini disse...

Obra de arte!
Parabéns amigo Alessandro!

Vibrei!