19 março 2009

Quem é Oracy Dornelles?

Há momentos em que falar é um delito. Há outros, em que o delito é calar. O poeta Oracy Dornelles mais uma vez afirma que não há bons poetas em Santiago. Ou seja, no seu julgamento somente ele é um bom poeta. Tem todo o direito de expor sua opinião. Se bem que suas opiniões são um tanto paradoxais. Há bem pouco tempo, para o Oracy havia, fora ele, somente um bom poeta em Santiago: o poeta Froilam de Oliveira. E sempre se derramava em elogios ao seu livro “Ponteiro de Palavras”. Curiosamente, de uns tempos para cá, por motivos que não me cabe analisar, voltou-se contra o Froilam e agora o considera um mau poeta. Eu pergunto: qual das duas opiniões de Oracy deve ser levada em conta, afinal? Será que suas opiniões têm mesmo algum valor, se são sempre levadas a cabo de acordo com seus interesses pessoais e não de acordo com um julgamento imparcial? Para mim, as opiniões de Oracy são como suas piadas: vazias. No entanto, jamais devemos ficar calados às tentativas da tirania.

Bem, mas eu também tenho o direito de expor a minha opinião. Eu sou o único santiaguense a afirmar sem medo que a poesia atual de Oracy se tornou aquilo que ele se propôs construir: uma piada. Antes de tudo, de que adiantou todo o estudo teórico que ele afirma ter efetuado, se foi para encerrar sua carreira escrevendo piadas com baixíssimo valor literário. Afinal, onde se fala em Oracy hoje em dia? Sinceramente, não vejo nos meios literários do Brasil qualquer alarde sobre sua obra. Somente se fala sobre seu ridículo e inútil circo de pulgas. Agora, somente porque ele vendeu três livros para o exterior, julga-se no direito de ditar o que é bom ou ruim? Convenhamos que para um poeta de quase 80 anos com 10 livros publicados e que se considera um fenômeno literário, ter três livros vendidos no exterior é muito pouco. Eu mesmo vendi alguns de meu livro de contos para Portugal e Uruguai. Só que eu tenho 31 anos. Além do mais, se procurarmos no Google, há 7.750 ocorrências para Alessandro Reiffer e 2.250 para Oracy Dornelles. Isso significa alguma coisa? Claro que não. O fato de eu possuir mais ocorrências no Google que ele não significa absolutamente nada. E muito menos significa alguma coisa ele ter vendido três livros para o exterior, comprados por colecionadores, que sempre adquirem qualquer bobagem. A verdade é que o Oracy como poeta, depois de escrever por 64 anos, mal ultrapassa as barreiras de Santiago.

Tal poeta crê que somente ele estuda poesia, literatura, arte em Santiago, ninguém mais, que só ele sabe o que pode ser feito ou não, crendo que todos os outros nunca ouviram falar em metrificação, por exemplo. Convido o Oracy para conhecer a literatura que é feita hoje pelo mundo, onde cada vez mais se despreza o poema-piada. Além do mais, ele fala como se o poema-piada fosse uma criação sua. Não só todos sabem que não é, como há centenas de poetas no Brasil que cultivam o estilo. Estilo esse cada vez mais caindo em descrédito, uma vez que é algo extremamente pobre em conteúdo, em sensações e em expressividade poética. Assim são os poemas-piada de Oracy. Impecáveis na técnica, vazios de conteúdo. Qualquer conhecedor de literatura e arte que não esteja condicionado pela mentalidade provinciana de Santiago reconhece tal fato imediatamente.

Isso sem falar nas suas caricaturas, as quais qualquer estudante de desenho faz melhor. Que o diga meu amigo PC. Suas micropinturas são outro exemplo de técnica apurada, porém sem nenhuma emoção ou profundidade. Suas esculturas estão absolutamente dentro da média. Há milhares de outros escultores melhores que ele no Brasil. O problema de Oracy Dornelles é que ele pôs na cabeça que é um gênio, e muitos em Santiago acreditaram. Fora daqui, ele cai ao seu verdadeiro valor. Tem talento para escrita, nada mais. Talento esse que ele vem desperdiçando com uma poesia ridícula que ele julga o suprassumo da literatura pós-moderna. Isso é, no mínimo, uma ignorância e uma vergonhosa mania de grandeza.

O que há de mais na poesia de Oracy? Na atual só há de menos, e na antiga, o que há são bons poemas dentro da média da produção brasileira da época. Poemas clássicos ou modernistas, mas absolutamente normais, não vejo realmente nada de fantástico ou fenomenal. O Oracy fala de outros poetas como se ele fosse mundialmente reconhecido como um dos maiores poetas da atualidade. Só ele e alguns santiaguenses ignorantes pensam assim. Onde está o reconhecimento da poesia de Oracy como sendo tudo isso que ele diz? Sinceramente, não vejo em parte alguma. Ah, ele espera ser reconhecido dentro de 50 anos? Ah, isso eu também espero. Vamos ver se alguém vai ser, não é mesmo? A diferença é que quando ele tinha 30 anos ele também devia pensar que seria reconhecido dentro de 50 anos. Lamento informar, senhor Oracy, mas já passaram 50 anos. Veremos então, poeta Oracy, se as suas piadas terão algum valor em 50 anos. Em 50 anos, o mundo não mais terá condições psicológicas de rir de uma piada, não haverá bom humor para suas brincadeiras literárias, que indignariam Beethoven, por exemplo, se ele soubesse que o senhor as classifica como arte. É melhor fazer montes de versos do que montes de piadas.

11 comentários:

Márcio Brasil disse...

Grande Alessandro. Parabéns por tua postagem. Te confesso que gosto da poesia de Oracy Dornelles. A arte é de ser louvada e admirada. Sem dúvida que Deus abençoou os seus poemas, com a condição que ele não abrisse a boca. Porque quando o faz, sempre joga raios na cabeça dos outros. Para ele, os outros escritores santiaguenses não prestam, a não ser que lhe puxem o saco. Aí, são maravilhosos. Uma vez que já não estejam orbitando em sua atmosfera, deixam de prestar. Acaso o Oracy soubesse demonstrar humildade e fosse generoso com os outros e não o rei das patadas, é certo que ele teria muito mais admiradores. É como se ele julgasse que os outros escritores de Santiago estivessem todos num picadeiro de pulgas amestradas que ele esmaga na hora que lhe convém. Agora mesmo, passa atacando o espaço Rotação Literária no jornal. Ora, manda bilhetinhos chamando de Arrotação Literária ou Indigestão Literária. Será que ele não vê que é um espaço para quem está começando. Ninguém inicia como o supra-sumo como ele. As pessoas iniciam de um ponto ou vão evoluindo. Infelizmente, para o Oracy não há meio termo. Ou o escritor não presta ou não presta. Penso que é lamentável essa postura dele, afinal, sua obra tem valor e merecem ser respeitada por isso. E se ele respeitasse mais ao trabalho dos outros e se colocasse a ajudar, fazendo uso da experiência que possui, que grande ajuda teríamos. Infelizmente, ele prefere fazer o contrário. Forte abraço, meu amigo!

Marcus Vinícius Manzoni disse...

Pois é, Alessandro. Veja bem, esses dias andei lendo um livro antigo do Oracy, era bacana. Mas, concordo, sem dúvidas, o que ele escreve hoje é de ir direito ao lixo. Não, desculpa, o lixo é muito. Não deveria nem ter escrito. O negócio é esquecer esse maluco, já expirou. Abraço!

Leonardo Sarturi disse...

Concordo plenamente com as tuas palavras.
Oracy não passa de um comediante sem talento que conhece muito de regras, mas pouco de alma.
Não sou um literato nem pretendo ser, mas minhas credenciais como músico e compositor passam por parcerias com Luiz Menezes, Carlos Omar Vilella Gomes, Ivo Bairros de Brum, Nenito Sarturi e outros. Então sei o que digo. Oracy, para mim, é nada.

Anônimo disse...

não dá para dar importancia para o que pensa aquele velho tarado, ranzinza, puxassaco dos ricos, falso, pedófilo e que passa babando atrás das guriazinhas de creche e de colégio. Isso a sociedade não vê ou faz que não vê. Esse é o Oracy que merecia sair no Fantástico. tem a cara de pau de mostrar aquele circo ridículo pq é um palhaço

Marcus Vinícius Manzoni disse...

Pouta merda, comentário anônimo. Ah!!! De que adianta comentar então?

Jimmy disse...

Boa! Eu concordo também... O povo dessa cidade vê o Oracy como um ícone de Santiago, como se fosse uma grande coisa aquelas riscarias nos grãos de milho, ou aquele circo de pulga tosco. O Oracy pra mim é só um autor comumzinho, que escreve qualquer coisa e chama de poema. Sei que é um tanto preconceituoso com a arte moderna, mas eu considero como POEMA aquilo que expressa de forma abstrata um momento, uma vivência, ou alguma coisa com a qual o autor se identifique, e não essas linhas soltas, sem rimas e sem sentido, sem... CONTEÚDO! E o Oracy, na maioria de seus textos, não sai desse paradigma.

Au Bon Gourmet 1962 disse...

Pois é amigos.....oracy tem 360 anos....portanto ele está todo este tempo adiantado...quase alcançando o final de nossa via láctea....e os difamadores atrazados apenas no inicio e totalmente *perdidos no espaço*.
SINTO PENA ,NÃO VALE DIFAMAR O GÊNIO ORACY DORNELLES.
UM HOMEM MUITO ADIANTADO ASSIM COM EISTEIN,ISAAC NEWTON, DA VINCI...QUE NÃO FORAM ENTENDIDOS NO SEU TEMPO...ABS A TODOS...SR TEDDY RENO.

Filipe disse...

Concordo em parte com post. com certeza o oracy parou no tempo na poesia, sendo um modernista desde que o modernismo era novidade.
Tenho que admitir gosto da poesia do oracy menos do que o espaço que ela abre pra arte, mais longe do subjetivismo emocionado, enxugado em versos, ou como uma repesentação abstra de uma experiencia.
Gosto de pensar na arte sem barreiras, e isso passa pelo circo de pulgas, que ao meu ver é tao inutil quanto qualquer obra de arte, visto que nenhuma delas deveria visar qualquer utilidade, pois assim mataria a possibilidade da arte de verdade.
Concordo que o Oracy pega pesado nos comentarios, e que o reconhecimento dele nao vai muito longe de santiago, mas é de se ressaltar que tem uma galera em santiago fazendo um diário em versos, sem uma real preocupação com a qualidade tecnica, nao só enquanto metrica, ou rimas preciosas, mas com o que ta escrito mesmo, com a poesia que ta ali.
Enfim, realmente acredito que o Oracy pega pesado de vez em quando, que a poesia dele parou no tempo, (ou correu mais rapido que o tempo) mas acho que cair na mesma intolerancia criticando mais ele do que a obra, como a galera fez bastante nos comentarios, nao é beem o caminho.

Tarcísio Lara Puiati disse...

Oracy é um gênio. E, como tal, desperta todo tipo de sentimento. Não me importo com a postura dele na sociedade, mas com a qualidade do q ele escreve, q é maravilhoso. Tenho imenso orgulho em ser conterrâneo dele.

drgessi disse...

MUITO INTERESSANTE,PORÉM,SINCERAMENTE,VAMOS TER MAIS RESPEITO. ORACY, MESMO CONTRARIANDO " ALGUNS" SEMPRE SERÁ LEMBRADO E RESPEITADO
POR SER PIONEIRO EM DIVULGAR NOSSA CIDADE E SEUS FILHOS DO SIMPLES AO MAIS ILUSTRE.

Alberto Afonso disse...

Não existem bons ou maus poetas. Existem, sim, poesias capazes ou incapazes de cair no gosto do leitor.
A poesia, pois, não define o poeta com a precisão matemática que tentam impor, quer o Oracy, quer outros que não gostaram da sua opinião. Até porque um mesmo poema pode ser maravilhoso para uns e para outros não.
Desta forma, parece-me, quando o Oracy diz que não há bons poetas em Santiago, ele não se refere aos autores, mas às obras, indicando, que, para ele, nenhuma lhe sensibiliza o suficiente para que goste. Está no seu direito, assim como estão nos seus aqueles que analisam, negativa ou positivamente, a obra dele. O que não é razoável é alguém dizer que não gosta da obra do Oracy porque ele não gosta da sua. Isto parece mais aquelas brigas de crianças do meu tempo quando um dos contendores ofendia a mãe do outro e este simplesmente respondia: "é a tua!".
Da minha parte, não me preocupo se o Oracy gosta ou não da minha poesia, até porque tenho dúvidas se algum dia ele leu alguma coisa que escrevi voltada à esta arte, eis que livros só produzi em outras linhas literárias. Mesmo porque, como autor que não tenho por trás nenhuma rede de TV ou de jornal, assim como não tenho grandes editoras que invistam nas minhas obras, nem na propaganda destas, estou restrito à vala comum da esmagadora maioria de autores brasileiros condenados a não terem nenhum sucesso no ramo.
Assim, eu continuo gostando de alguns poemas do Oracy, enquanto não gosto de outros, critério que vale para qualquer autor que eu tenha lido.
Um abraço e meu imenso respeito a todos os autores, santiaguenses como eu, que se empenham e se dedicam nesta difícil arte de colocar sua alma no que fazem, que, com sucesso ou não, serão eternos porque em algum ponto e em algum momento estarão sendo lidos e compreendidos, ainda que isto demore anos...
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