11 dezembro 2008

Não - Soneto

nas longas águas que enloucaram um vale
perdi estas cruzes todas elas vivas
me viram corvos perpassar nas línguas
eu tudo aquilo que não fui me lembro

caía um mundo sobre meus crepúsculos
ouvi de um selo que beijou-me em fronte
só eu sozinho sim vi de em fim a arte
mas um martelo mais letal me acerta

perdi perdões que não te arrependi-me
eu sou aquilo que não tive e mato
e os teus desejos que pedi sonhei-me

um cristo leu-me pra acenar caveira
e fui beijar-te em alto horror sublime:
te sinto em versos sem nenhum sentido...

2 comentários:

Marcus Vinícius Manzoni disse...

"eu tudo aquilo que não fui me lembro" - Cara, essa frase... quantas vezes senti isso!? Bacana. Creio que este deve ter sido um dos teus melhores e mais altos poemas. Muito bom. Tu nem precisavas assinar, dá bem pra ver que foste tu o autor. Estilo inigualável.

Rúbida Rosa disse...

"só eu sozinho sim vi de em fim a arte
mas um martelo mais letal me acerta"
Gostei muito desse poema, especialmente desses versos.