25 setembro 2008

Conhecimento Miserável

Barry Commoner, um dos maiores ambientalistas americanos e um dos primeiros a se preocupar com a questão ambiental nos EUA, afirmou: “Em minha opinião, a poluição ambiental reflete a falência da ciência moderna”. Não tenho dúvida quanto a isso. Sempre digo que a humanidade fracassou. Tivemos vitórias? Claro que sim. Beethoven foi uma delas. Goethe foi outra. Einstein, outra. Obviamente, também houve outras vitórias. No entanto, não foram suficientes para “salvar” a humanidade. No geral, caminhamos a passos rápidos e definitivos para a ruína final. É ostensível que o planeta não nos suportará por muito tempo. E poderíamos ter evitado. Se compreendêssemos antes o quanto ignoramos e desprezamos a alma do planeta, a nossa própria alma. Paguemos então o preço de nossos atos. Agora é tarde? Na minha humilde, trágica e radical opinião, sim. Virá outra humanidade depois? O tempo nos dirá.

De que nos serviu todo o conhecimento dito “científico”? Para nos enchermos dos maravilhosos bens que a tecnologia nos proporciona, e que só o dinheiro pode comprar? Existe sabedoria em uma ciência que só pode ser alcançada com o dinheiro? Em uma ciência que com todas suas quinquilharias tecnológicas em breve terá destruído nosso planeta? Sim, porque a ciência é o símbolo maior da humanidade. Se a humanidade se autoconsome, se comete um lento suicídio, é com seu maior instrumento: a ciência. Lógico que a culpa não é da ciência em si, mas do entendimento que os homens tiveram dela, do seu uso, da maneira como a humanidade encarou a ciência, como algo exclusivamente materialista, para domínio e usufruto egóico de suas potencialidades sobre a natureza, sobre o planeta. Não me saem da cabeça aquelas palavras cruéis, desumanas (ou demasiado humanas), perfidamente egoístas e materialistas de Descartes, aquele que foi um dos maiores responsáveis pelo desenvolvimento do pensamento “científico”: “o grito dos animais torturados em nome da ciência é como o som das máquinas de uma fábrica em funcionamento.” O que esperar de uma humanidade que pensa tal absurdo de seus irmãos menores? Só uma coisa: a destruição de toda a vida do planeta. E assim está sendo.

Agora a ciência quer provar a origem do universo com a construção do gigantesco acelerador de partículas. Condeno o projeto? Não. Condeno a arrogância da ciência, ao julgar que ela é o único caminho ao saber. Fico com a afirmação de Jung: “A ciência ocidental obscurece a visão quando apregoa que o único gênero de saber é o que está de acordo com ela.” Provavelmente, os senhores cientistas do referido projeto desconhecem que há milênios o Conhecimento Oculto, bem como algumas vetustas e esquecidas filosofias orientais, apregoa que houve um “big-bang” e uma expansão do universo. Einstein, no entanto, sabia disso. Preconiza tal Conhecimento que no início todas as coisas estavam unidas em um único conjunto, sem existirem. Então houve o que hoje chamaríamos de explosão, e que a expansão causada por ela seguirá até seu ponto máximo, quando então deverá regressar, o universo irá se encolher, até um ponto máximo de encolhimento, quando então voltará a “explodir” e se expandir novamente.

É o caráter cíclico de todo o universo, como o dia e a noite, como as estações, como todas as coisas, é o Eterno Retorno. Tudo volta e sempre voltará. Tudo. Isso já era de conhecimento dos antigos sábios. Mas é claro que a ciência jamais levaria um conhecimento não-mental, não-material a sério. Querem provas materiais, como se isso sempre fosse possível. Essa é a miséria da ciência: seu conhecimento alcança até onde alcançam suas máquinas. Até onde alcança o dinheiro. Por isso, é e será sempre pobre, tardio, limitado. Eu também já fui um fanático “científico”, mas percebi a esterilidade e impotência da ciência frente ao que eu mais queria saber.

E o Oculto dizia mais: dizia que durante o Dia Cósmico, ou na expansão do universo, tudo se separaria da energia original, e passaria a existir, inclusive materialmente. Segundo o próprio Einstein, energia não é igual à matéria? E na Noite Cósmica, no encolhimento do universo, tudo deixaria de existir e voltaria a se unir à energia original. Tudo voltaria ao “Seio de Deus”? Seria Deus essa energia original? E se todas as coisas provêm dessa energia, Deus não estaria em todas as coisas existentes? Enfim, seria Deus a união de todas as coisas que existem, muito além do Bem e do Mal? A esse período que abrange um Dia e uma Noite Cósmicos, os Antigos chamavam de Mahavantara, ou o Grande Dia. Quantos dias desses já vieram? E quantos virão?

Mas esse texto certamente será desprezado por muitos. Não é “científico”, não pode ser levado a sério. Porém, se os sabichões, junto com o restante da humanidade, que agora rirão de mim, entendessem o Equilíbrio Universal, não teriam destruído a vida na Terra, criando uma ciência que preconizou que poderíamos consumir infinitamente nosso planeta. Grande sabedoria... Mas é como sentenciou Goethe: “Na verdade, só se sabe aquilo que se sabe apenas para si mesmo.”

7 comentários:

Prof. Nei Colombo disse...

O que posso dizer é que apoio o escrito do amigo Reiffer, a humanidade perdeu-se de si mesma e esvai-se desprovida de sentido e valor. O ser não vale nada mais do que vale o não-ser, o ter, pois o ter é o não-ser, e assim marchamos silentes para o avismo da auto-destrição, e parece que não há mais nada a fazer. A arrogância da pseudo-ciência ocidental, que diz ter explicação para tudo foi o começo do fim. O progresso científico sem reflexão nada mais é que entulhar quinquilharias. A ciência é mercadoria vendia a quem acumulou capital econômico, mas a vida e a existência são bem mais que o visível.

Soturna Noite disse...

Concordo com Reiffer e com professor Colombo, há hoje uma crise de valores, as pessoas estão vazias e tentam se preencher com qualquer "promessa", a busca da pilula de uma felicidade instantânea sem esforço, que se compra na farmácia da esquina. Quanto a ciência por mais que tenham existido pessoas de intuito em buscar um real conhecimento ou tentar encontrá-lo, hoje o que presenciamos são os monopólios de "curas". E uma corrida para fabricar tecnologia em geral apenas para vender, expor. Ao mesmo tempo, que muita gente consome tudo isso a cada novidade uma ânsia por ter o "novo". A grande maioria das pessoas não tem acessos a remédios, alimento e muitas necessidades de sobrevivência. Esta tecnologia toda não reslveu problemas antigos, e nem toda contradição existente em nossas sociedades. A ciência não é democrática, muito menos nossa sociedade, ela já não busca o compreender. Ela apenas é mais um mecânismo de distanciar possibilidades das pessoas se interessarem em criar as coisas, em buscar saídas. Ela aliena e torna as pessoas dependentes.

Marcus Vinícius Manzoni disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcus Vinícius Manzoni disse...

Meus parabéns Alessandro, por ser um defensor. No texto, mostrou-se sensível e puro. Parabéns pela coragem de estufar o peito e dizer: "Ainda existem homens que enxergam além do material". Parabéns por levar o verdadeiro conhecimento adiante, parabéns.

Alberto Ritter disse...

Alessandro,
fantástico o post.

Se todo mundo pensasse assim, estariamos salvos, é uma pena que continuaremos sempre sendo os loucos!!!

Ah, fiz um blog, se quizer dar uma olhada, mas só tem bobagem! Hehehe.

http://facadebomcorte.blogspot.com/

Abraço.

PAULO SORIANO disse...

Alessandro:
Ciência e prepotência são uma rima perfeita. Mas não olvidemos que a verdade inabalável de hoje será o ingênuo e risível equívoco de amanhã.

Alberto Ritter disse...

Valeu Alessandro...

Mas não tenho dom para ter um blog hahaha, daqui há uns dias eu fico puto e deleto ele! Pode acreditar!

Quanto ao post, eu não sei se consegui escrever tudo o que eu queria lá, mas há tempos eu venho tentando achar uma "estética" pro rock/metal na história da música haha.

Quando eu fui lá no blog do Froilan (depois que eu li o post do Marcus lá), vi ele falando mal do rock e foi a gota d'água hahaha, mas há tempos eu pensava essas coisas.

Abraço!